A cada ano vale sempre a pena ler a Mensagem de Quaresma do Papa. A mim faz-me parar, nem que por breves minutos, e apontar estes 40 dias que chegam como oportunidade de reflexão, melhoria, mudança ou até o despertar de outras vontades naquele momento ou circunstância de vida.
Desta vez a vontade de ler a Mensagem do Papa Francisco foi reforçada pela parte gráfica que acompanha o documento, inicialmente até pensei ser brincadeira. Mas não! Os desenhos da autoria de Mupal, artista italiano conhecido pelas suas intervenções nas ruas de Roma, vão sendo apresentados ao longo deste tempo e, aqui, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral teve essa ousadia de “trazer da rua” para a Igreja, o mesmo propósito de fazer caminho com a ajuda da arte.
Vale a pena também frisar o olhar ao mais pobre, presente na mensagem, denunciando a pobreza que atinge milhões de pessoas e a destruição da natureza. “Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade” é o título da mensagem que nos provoca e aponta que a humanidade vive ainda na “escuridão das desigualdades e dos conflitos”.
No documento apresentado o Papa propõe uma reflexão sobre os estilos de vida e como cada cristão se define, se compromete, espera ou sonha a sua comunidade, a Igreja, fazendo alusão ao processo sinodal que decorre.
“A forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado”, refere a mensagem.
A Quaresma é também sinónimo de surpresa e, a mim, esta forma de a viver, neste ano em que nos envolvemos na oportunidade do caminho sinodal, é o tempo para o entusiasmo, para o diálogo, para a união e entreajuda nas comunidades, em Igreja. Como em família, na simplicidade, escutar todos, dar alento aos necessitados e apontar mudanças.
Que a Quaresma de 2024 valha a pena, que possa ser uma “pegada” diferente, uma marca de mudança de caminho, se o tiver de ser, de nos sentirmos mais Igreja na fé que nos une e no Evangelho que queremos dar a conhecer. Vale a pena!