Em movimento
Este espaço é seu. Envie informações sobre encontros sinodais e experiências de caminho em conjunto para o e-mail: geral@redesinodal.pt
Rede Sinodal está disponível para fazer caminho em conjunto
Rui Saraiva, coordenador da Rede Sinodal em Portugal
O II Encontro Sinodal Nacional organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa reuniu no dia 10 de janeiro em Fátima responsáveis das dioceses e de vários organismos católicos. Cerca de 160 participantes, um ano após o primeiro encontro de 2025, partilharam as experiências vividas nesta fase de implementação das orientações do Documento Final da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, publicado em outubro de 2024.
Das conclusões deste encontro tomei atenção especial ao quinto ponto que refere a construção de “uma Igreja que comunica e caminha em rede”. “Uma Igreja que comunica e caminha em rede: consciente da importância das redes sociais e dos meios digitais para a evangelização e a comunhão, promovendo o trabalho em rede entre as dioceses e comunidades, com especial atenção ao protagonismo dos jovens como agentes ativos do anúncio do Evangelho”, refere o número 5 das conclusões do II Encontro Sinodal Nacional.
Este ponto fez-me logo lembrar a Rede Sinodal em Portugal. Comunicar e caminhar em rede, precisamente o seu objetivo primeiro. A 6 de janeiro de 2024, na Epifania do Senhor, nasceu este projeto, simplesmente como um site de informação sobre o Sínodo com o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”. A iniciativa de avançar para este site colheu inspiração no espírito do livro “Não temos medo – Reflexões sobre a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e o caminho sinodal” que juntou a participação de 20 personalidades.
Da adoração do Menino Jesus, brotou a ação coletiva de um pequeno grupo de leigos e leigas de várias áreas profissionais, ao qual se juntaram vários sacerdotes e religiosas, que sentiram a necessidade de partilhar informação e reflexão sobre o Sínodo. Em www.redesinodal.pt. Eu procuro ser o coordenador.
Da sua ação de dois anos destaca-se o podcast “No coração da esperança” publicado no canal YouTube da Rede Sinodal. Uma iniciativa promovida através de uma parceria absolutamente inédita em Portugal ao unir vários órgãos de comunicação social, em particular diocesanos: Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo. E tem ainda espaço no Vatican News.
Foram entrevistados os teólogos Tomáš Halík e João Duque, os sacerdotes Sérgio Leal, Paulo Terroso e Duarte Rosado, a médica Sílvia Monteiro, a jornalista Sónia Neves, a gestora Sofia Salgado e na entrevista do passado mês de dezembro o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal. Num total de 11 episódios houve tempo ainda para uma edição extra com o biógrafo do Papa Francisco, Austen Ivereigh.
Com espírito de serviço, a Rede Sinodal em Portugal continua disponível para fazer caminho em conjunto com a estrutura sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa, na forma que se entenda mais eficaz, para produzir conteúdos, valorizando a participação das dioceses, paróquias, comunidades e movimentos, partilhando e comunicando reflexão num espaço comum, em acompanhamento próximo, amigo e motivador.
Creio que esta é uma boa ideia para vivermos mais juntos este caminho de implementação sinodal, como recordou recentemente o Papa Leão XIV na sua intervenção final no primeiro Consistório do seu pontificado nos passados dias 7 e 8 de janeiro. “Os laços entre nós são importantes”, sublinhou o Santo Padre. Comecemos sem demora.
Foto: Rede Sinodal
Aqui a partilha do Vatican News.
Foto: Rede Sinodal
“Nem os párocos são monarcas, nem os leigos miniaturas de padres”
O cardeal e bispo de Setúbal destaca a importância do método sinodal, assinalando alguns aspetos do que tem sido feito na sua diocese e agradece o trabalho da Rede Sinodal em Portugal
Neste episódio 11 o entrevistado é o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal e que coordenou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023
P:Que leitura faz do Documento Final do Sínodo e das Pistas para a implementação do Sínodo, a partir daquela que foi a sua experiência na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos?
Em primeiro lugar, termos todos consciência que estamos a caminho. Estamos a fazer um caminho, estamos a caminho e fomos provocados para fazer o caminho juntos: uns com os outros. Não numa corrida de fundo isolada, mas cada vez mais termos consciência que fazemos caminho como povo. E chegar a uma estação a meio do caminho, ou no meio do início, ou no meio do fim… Nunca sabemos. Chegar a meio de uma viagem implica sempre muito respeito pela caminhada feita e alguma coragem para questionar o caminho feito. Como é óbvio.
Confesso que o que mais foi difícil para mim naqueles dias, naquelas semanas, foi, porque não tinha tido a experiência anterior, os grupos de trabalho com aquela metodologia da conversação no espírito. Confesso que a certa altura já cortava os pulsos, daquilo que significava converter-me àquela dinâmica e àquela metodologia. Mas passado metade já era qualquer coisa normal, já fazia parte, enfim, da aprendizagem, do protocolo e da metodologia
Foi muito importante nos grupos em que... Eu acho que mudei só duas vezes de grupo: um grupo, depois outro, depois voltei ao início. Eu não me lembro de qual era o nome da função, mas era uma… Foram senhoras que nos calharam na primeira vez. Depois um senhor, depois uma senhora. Que eram os responsáveis por distribuir jogo, por fazer com que as coisas funcionassem. E eu tenho muita gratidão a essas pessoas, porque, de facto, fizeram com que cardeais, bispos, padres, leigos, mais ou menos famosos, mais ou menos anónimos, a certa altura éramos irmãos conhecidos desde sempre.
P: O que está a ser feito na sua diocese de Setúbal?
Temos uma Comissão Sinodal Diocesana, constituída por um sacerdote e três leigos. Duas leigas e um leigo, mais o sacerdote. Que eu já herdei quando cheguei. E pedi-lhes que continuassem a fazer o trabalho que tinham feito. Sei que antes tinham feito trabalho de grupos paroquiais, vicariais… O trabalho do terreno que foi feito por algumas dioceses, e Setúbal também. E eles agora, aliás, nestes dias últimos, estiveram no Jubileu, também participaram. E sou muito grato por isso, que temos de ter consciência que os leigos têm vida para além da participação nestas coisas que a Igreja lhes pede. E estivemos reunidos há dias para preparar aquilo que serão os próximos passos.
Nós, já comigo em Setúbal, eu pedi-lhes que eles fizessem um circuito por toda a diocese, ao nível das vigararias, para uma atualização, tipo revisão da matéria dada e projeção dos passos seguintes. Que o fizeram e eu pedi-lhes que me remetessem um documento síntese disso. É assim, eu quero meter-me o menos possível nestas fases. Acho que é mais puro que venha ter ao bispo o diamante lapidado, porque eu acho que é do que se trata. Isto que se está a fazer, com imprescindível protagonismo laical… No caso de Setúbal é a maioria esmagadora: três, um. E depois nos conselhos também. Mas eu acho que é muito importante nós permitirmos que o diamante seja lapidado, e tenha ganho valor exatamente por isso.
E, por exemplo, aquilo que vamos fazer este Ano Pastoral 25/26: uma das coisas que vamos, e estamos a arrancar... Uma: em Setúbal tem sido difícil a concretização da constituição dos Conselhos Pastorais Paroquiais. Tem sido difícil. A primeira… Eu estou lá há dois anos. A primeira carta pastoral... Pedi que se constituíssem. A segunda carta pastoral… Pedi, insisti e rezei para que se constituíssem. E a terceira carta pastoral, que foi há dias, pedi, rezei, insisti e supliquei. Não sei o que é que será a palavra a seguir. Mas estou muito grato porque nós somos 57 paróquias, e nós já passámos a barreira dos 40. Já passámos a barreira dos 40. Mas é fundamental. E estas instâncias de sinodalidade prática são fundamentais. E eu não consigo entender porque razão é que uma paróquia não o tem, não o constitui. Aliás, eu até uso a imagem: nem os párocos são monarcas, nem é preciso também, enfim, transformar os leigos em miniaturas de padres ou coisas parecidas. Portanto cada um no seu lugar, cada um respeitando a sua missão. Mas este Ano Pastoral, com a ajuda desta Comissão, e com a ajuda destes 40 já constituídos Conselhos Paroquiais Pastorais, vamos aprofundar para que todos saibam qual é de verdade a missão, a função. Porque, às vezes, nós convidamos as pessoas e normalmente enganamo-las. “Olhe, não dá trabalho nenhum, é só uma reunião por ano.” Pronto, está enganadinho. E a partir daí muitos acreditam nisso, e depois também as coisas não produzem como deveriam produzir, em razão destes mínimos olímpicos que nós vamos combinando uns com os outros.
Depois, também os Conselhos Paroquiais para os Assuntos Económicos. Também são muito importantes, e é fundamental que todos cresçam na corresponsabilidade pelas decisões da vida material da comunidade. De maneira que nem o pároco se sinta única e exclusivamente o dono, nem os leigos se sintam desresponsabilizados, nem também, erradamente, responsáveis pela decisão final. E nós vamos ter no dia 28 de fevereiro próximo, um primeiro grande encontro de todos os Conselhos Pastorais Paroquiais constituídos. Estou muito curioso e muito orante por esse encontro, para que cada um comece a levar a sério a responsabilidade de fazer parte deste tal caminho. Porque a sinodalidade é querermos, desejarmos e aceitarmos caminhar juntos. E o que é isso? É fácil: ouvir, rezar, discernir e decidir. E eu aqui digo: decidir. Porque às vezes acho que há processos que esquecem a última parte, e passam eternamente a refletir, a discernir, a rezar, e depois falha a decisão. E a decisão é muito importante.
P: A Rede Sinodal em Portugal procura ser um espaço de partilha de conteúdos e dinamização do processo sinodal. Que papel poderá ter nesta fase da implementação das conclusões do Sínodo?
Acima de tudo nós temos todos que também... Temos que nos converter a que ninguém é dono da sinodalidade, e ninguém é dono do caminho. Ou seja, se há um dono é Cristo Rei. Já que há poucos dias celebramos Cristo Rei. O Espírito Santo, Deus, Jesus. Eles são os donos do caminho. São eles que nos inspiram, que nos projetam, que nos provocam e, por isso, em primeiro lugar, temos que dar graças a Deus por... Não sei se por loucura, por martírio, muitos leigos se colocarem na linha da frente do pelotão de fuzilamento para nos provocarem, para nos ajudarem à reflexão sobre exatamente esta temática. E com equilíbrio, porque às vezes nós conversamos… Eu não sou muito erudito naquilo que significa a sistematização académica das coisas… Chateia-me, aborrece-me, e não tenho muita paciência para isso. Mas ainda bem que há quem a tenha para nos ajudar a arrumar as coisas e a refletir de modo científico.
Mas eu temo muito, às vezes, que nos distraiamos demasiado com uma tentativa de tornar a sinodalidade uma cátedra da faculdade não sei de quê. E eu acho que isto não é propriamente a urgência. É preciso sistematizar, é preciso aprofundar, é preciso refletir. Mas eu... A minha preocupação como pastor, acima de tudo, é que as minhas ovelhas entendam. Saibam e entendam. Porque acima de tudo, e eu tenho notado nestes dois anos… Acho que é uma urgência uma aproximação e familiaridade, vejam lá, com a palavra de Deus. Acho que há um défice tamanho das pessoas mais diversas que encontramos no dia a dia, nas paróquias, nos serviços, nas comunidades, que é um défice gigantesco de familiaridade, de conhecimento com a Sagrada Escritura. Isso estou convencido que temos de fazer alguma coisa. Depois, se nós saltarmos da Sagrada Escritura para o Magistério da Igreja, para os documentos do Papa, para não sei quê… Então é melhor não continuar a conversar, porque isto vai acabar muito pessimista. Portanto, em relação à Rede, agradecer o trabalho que fazem. Que ofereçam os sofrimentos para salvação do mundo, mas na certeza de que não é trabalho deitado fora. Pelo contrário. E acredito que estes caminhos das dioceses, das paróquias, dos movimentos… Estes caminhos, sendo caminhos de Deus, vão-se cruzar. A certa altura vão-se cruzar. Vai demorar mais, ou vai demorar menos tempo.
Duarte Rosado: “A missão da Igreja não é a autopreservação, mas a evangelização”
O sacerdote jesuíta e músico considera que é importante “não ter medo de abrir ao Espirito”. Assinala que a “experiência de beleza” pode ser “comunitária, pessoal, de fé e de Deus”. E a arte pode ser “um veículo” para “falar de Deus”.
Desta vez o entrevistado é o padre Duarte Rosado, promotor vocacional da Companhia de Jesus em Portugal. É músico e talvez influenciado pelos seus estudos bíblicos em Roma, lançou um disco com canções inspiradas em textos do Antigo Testamento. O nome do trabalho é “Um grito chamado Isaías”, que dá base ao concerto-oração “Isaías e a fragilidade”.
O sacerdote jesuíta apresenta a sua reflexão sobre o processo sinodal iniciado pelo Papa Francisco, que entra agora na fase de implementação global com o Papa Leão XIV. Duarte Rosado salienta que devemos “deixar o Espírito falar”. Algo que nos poderá levar a “lugares inesperados”. Sublinha que a “experiência de beleza” pode ser um desses lugares, vivida em modo de “experiência comunitária e pessoal, de fé e de Deus”.
P:Que leitura faz do documento "Pistas para a implementação do Sínodo" publicado pela Secretaria Geral do Sínodo?
R: Eu li sobretudo este documento com imensa esperança naquilo que está a acontecer na Igreja, naquilo que desde o Concílio Vaticano II vem sendo posto em prática, ou procurado... Enfim, a receção do Concílio é sempre muito demorada, mas eu acho que isto é um passo extremamente significativo nessa implementação, digamos assim. E acho que não é atrasado, dizer que o Concílio foi há cinquenta anos, porque eu acho que estamos muito a tempo ainda. Porque a receção do Concílio, de facto, é muito, muito, muito demorada.
Gosto que a perspetiva eclesiológica seja clara, muito precisa. E nós precisamos disto. Nós não podemos ter visões da Igreja tão díspares, que não se possam harmonizar minimamente. E, portanto, a perspetiva eclesiológica ser aquela do Concílio Vaticano II como Igreja, como mistério e como povo de Deus em caminho, eu acho que isto é fulcral. Fulcral mesmo.
Parece-me que isto ser um documento que parte de uma experiência e não de uma série de métodos e técnicas, isto é muito bonito. Porque não está feito à partida, o caminho. Nós estamos verdadeiramente a fazer o caminho. Partir da experiência, avaliar essa experiência e continuar a crescer. Parece-me importantíssimo que se escute toda a gente, e se oiça toda a gente, e que não fique um documento, ou seja, que não fique uma iniciativa que fique no papel. Nós, de reflexão, já temos muita. Temos muitos anos de reflexão. Temos muita coisa para trás das costas, muita história. O que nós precisamos é de começar a pôr em prática. Ainda que o caminho não seja claro, ainda que não esteja tudo estabelecido à partida. E eu acho isto muito bonito. E a leitura é muito esperançosa por causa disto, sobretudo por causa destes aspetos. Então, uma coisa que também me parece muito clara neste documento, e que eu prezo muito, é que a missão é clara. A missão da Igreja é de evangelização, é falar de Cristo. É de dar espaço ao Espírito no seu seio. A missão da Igreja não é a autopreservação, mas a evangelização. E isso é muito claro, porque as linhas de força, os critérios, o objetivo, é a missão da Igreja de evangelização e não a autopreservação. A Igreja vai continuar no mundo, e essa é a promessa também de Cristo. Mas a Igreja vai continuar no mundo, na medida em que põe em prática a sua missão. Não pela sua preocupação de autopreservação. É muito bom isto estar escrito. Porque às vezes acho que podemos enredar-nos em preocupações, em criar aqui uma segurança qualquer. Mas a segurança não está na nossa preocupação, nas coisas que nós possamos fazer. A segurança está na medida em que confiamos no Espírito, em Cristo.
Foto: Rede Sinodal
P: Qual a importância do método sinodal para este momento histórico da Igreja e do mundo?
Eu acho que é importante em várias medidas este método. É importante porque me parece ser fiel à Igreja. Ao ser fiel à Igreja, ser fiel ao Espírito. Porque a Igreja, de facto, já funcionou assim, ou mais assim, noutros tempos. E ser fiel ao Espírito, porque de facto é uma abertura. E não ter medo de abrir ao Espírito. E há uma frase, particularmente, no documento que é claríssima em relação a isto, em deixar o Espírito falar. E isto pode-nos levar a lugares insuspeitos e lugares inesperados. E eu acho isso pessoalmente bom. Altamente inseguro, um risco gigante, mas é a única maneira de… É assim que trabalhamos.
Parece-me que neste tempo que corremos, acho que é responder aos sinais dos tempos, é responder a uma cultura, e é responder a um mundo que, de facto, exige abertura, exige transparência, exige que toda a gente tenha voz. Não tenho qualquer dúvida em relação a isto, que é uma resposta aos sinais dos tempos. A resposta não é de fechamento, porque seria uma tendência. Ou seja, existe não tanto uma oposição, mas bastante indiferença. A Igreja perdeu alguma relevância social, digamos assim. Deixou de ser relevante. E parece-me que este método não é trazer relevância à Igreja, mas é perceber de que forma é que a Igreja pode responder a um mundo que é indiferente. Que é, às vezes até, contra, pela carga histórica que a Igreja tem, etc.
P: A partir também da sua sensibilidade de músico, que caminhos de implementação do Sínodo poderiam ser percorridos em Portugal?
Eu não falo só a partir da música. Acho que se fala a partir de um ponto de vista da arte, porque a música é uma das expressões. Eu falo até quase do que está... Quase da base. Parece-me que é neste momento o mais importante. Mais do que o produto final, é mais a atitude que está por detrás da criação artística, ou da arte. Nós temos alguma dificuldade em habitar a tensão, e habitar as perguntas. Temos alguma dificuldade em relação a isto. A tendência é para uma certa segurança, em ter as coisas garantidas, as respostas todas, etc. Eu acho que a vida não funciona assim. E se a vida não funciona assim, a fé não funciona assim, e a Igreja não funciona assim. No tempo em que estamos não funciona assim.
O que é que me parece que a arte faz de uma maneira excecional: Ensinar-nos a habitar as tensões e as perguntas sem ter a pressa de as resolver, ou seja, sem querer resolvê-las à pressa. Porque a arte põe-nos diante do mistério. Sem o querer escangalhar, sem o querer abrir, sem o querer, com um bisturi, dissecá-lo. Mas vivê-lo, viver isso. E põe-nos diante da pergunta, sem a querer responder à pressa. As perguntas vão-se respondendo, vai-se vivendo a resposta, e não se vai respondendo à pergunta como nós estamos habituados à nossa mentalidade, meia técnica, meia eficaz ou eficiente, vai querer responder.
Para além disso, a arte também nos põe diante da beleza, do belo. E a experiência de fé, e a experiência de Igreja, deveria ser, ou é, pelo menos implicitamente, uma experiência do belo. Uma experiência de beleza. Portanto, a arte é como uma porta de entrada. Não estou a dizer que a arte, que experimentar a arte é já a fé. Pode ser para quem é crente. Mas para quem não é pode ser sobretudo uma porta de entrada muito, muito grande. Na perspetiva sinodal, isto é muito importante. Porque me parece que o Sínodo também poderia encontrar caminhos, obviamente, de habitar a tensão e as perguntas. E é uma coisa que está clara também nos documentos, habitar a tensão, ensinar a habitar a tensão e as perguntas. E, sobretudo, a experiência de beleza poder ser uma experiência comunitária e pessoal, de fé e de Deus. É uma experiência profundamente espiritual que poderia ajudar não só a esta conversão de que se fala das relações, e de uma conversão espiritual também, mas também até uma maneira de transmitir conteúdo através da arte. De poder ser um veículo de falar de Deus. Não como a teologia fala, não como a espiritualidade, por si, a fala. Não como a liturgia fala, mas de uma maneira nova, e a meu ver até pouco explorada, pelo menos em Portugal. Assim ainda pouco explorada a questão da beleza, e de como se pode usar a beleza como veículo, e como porta de entrada e até como veículo de fé.
Duarte Rosado é sacerdote jesuíta e músico e colaborou com a iniciativa podcast “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal, uma parceria que junta Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Foto: Rede Sinodal
Sofia Salgado: “não é surpresa haver resistência” ao Sínodo
A gestora e docente universitária assinala que no Sínodo “há quem poderia fazer mais e não faz”. Mas o Espírito Santo inspira “iniciativas onde nós não contávamos”, afirma. É o episódio 9 do podcast “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal.
Desta vez a entrevistada é a gestora Sofia Salgado que nos apresenta a sua reflexão sobre o processo sinodal iniciado pelo Papa Francisco, que entra agora na fase de implementação global com o Papa Leão XIV.
P: Que leitura faz do documento "Pistas para a implementação do Sínodo" publicado pela Secretaria Geral do Sínodo?
Vejo o documento como oportuno e como oportunidade. Oportuno no sentido do momento, e também de oportunidade e de guia. Oportuno, e quando eu digo momento, porque de facto é o documento que nos faz a ligação entre dois Papas. Em que este Papa vem ligar, vem continuar aquilo que tinha sido iniciado, e já com grande parte executada pelo Papa Francisco. E este é o documento em que o Papa Leão XIV nos diz: Isto é para continuar. E temos agora aqui uma janela temporal para o fazer. Por isso, e eu digo oportuno no sentido que nos dá um guia de ação, que depois dá-nos pistas de como fazer, e a quem é que é dirigido, e tudo que lá está no documento. Mas para mim é um documento que é importante porque ele é um sinal da vontade da continuação do processo. E, desde logo, é essa a primeira leitura que faço. E depois, não entrando se é novo ou não é, naquilo que são as pistas, dá-nos esse guia. E retenho algumas, uma ou outra que retenho, e que para mim são importantes. Desde logo, em insistir - aqui não é novo - na inclusão. Temos que incluir neste processo. Não é repetir aquilo que já foi feito, mas nas etapas que agora se seguem, e naquilo que se vai fazer, incluir aqueles que estão à margem, aqueles que não foram incluídos, porque isto não é para os mesmos. Isto é para refletirmos sobre a Igreja e as estruturas que queremos. E, por isso, costumo dizer, e digo isto também aos meus alunos e às pessoas com quem trabalho: Se nós fizermos tudo igual, não vamos esperar que as coisas se alterem. Por isso, há aqui uma clareza e uma clarividência no documento, que é: Temos que incluir, temos que escutar outros e temos que incluir aqueles que queremos incluir na Igreja. Aqueles todos que nós queremos incluir na Igreja, desde logo. E aqueles que estão à margem. Aqueles que não sabem se querem ser incluídos. Mas nós devemos escutá-los. Essa é uma primeira nota. Uma segunda nota é o estarmos conscientes da diversidade. Nós não vamos ouvir, nem trabalhar, com aqueles que são iguais a nós. Nós estamos com aqueles que são diferentes, porque aí é a riqueza do mundo e da Igreja. E a harmonia e a paz consegue-se nessa diversidade.
Somos todos iguais. Eu nem acredito que haja muita possibilidade de harmonia, porque não há complementaridade. E, por isso, se nós vamos esperar por escutar aqueles que nos dizem aquilo que nós queremos ouvir, não vamos, eu diria, recolher muito sobre isso. Nem vamos crescer, nem amadurecer, nem evoluir com isso. Por isso, essa é outra nota que é, para mim, muito clara, muito repetida. A diversidade, a riqueza da diversidade, e a harmonia que se quer nessa complementaridade. E a Igreja constrói-se nessa diversidade. E depois a outra nota, que tem a ver com a partilha que se deve fazer das iniciativas. Nós não caminhamos sozinhos, e ninguém está a caminhar neste processo sinodal sozinho. Como ninguém se salva sozinho, ninguém deve caminhar sozinho. E aqui, devemos arranjar formas de partilhar daquilo que vai sendo feito. Por outros diferentes, por outros contextos, por outras culturas. Pelo nosso vizinho do lado, pela paróquia muito próxima, ou por outra mais distante. Arranjar formas de perceber o que é que está a ser feito, porque escusamos de inventar aquilo que já foi inventado, e podemos, inspirando-nos naquilo que já foi feito e está a ser repetido, fazer igual, fazer parecido, fazer diferente. Mas podemos inspirar-nos nesta partilha.
P: A partir também da sua sensibilidade de gestora, que expectativas tem sobre a dinâmica sinodal global neste processo que vai desde 2025 a 2028?
Desde logo, como pessoa de fé que acredita no Espírito Santo e em Jesus Cristo, diria que tenho uma expectativa muito positiva. Tenho muita esperança de que algo de positivo vai resultar daqui, e positivo para a Igreja. Daquilo que conheço, também da experiência de vida, e daquilo que é a experiência de como se comportam as organizações em geral, sejam mais empresariais, sejam menos empresariais, e também daquilo que é a organização Igreja, que é conhecida como a organização mais antiga que existe, com tudo o que é o mérito de ser uma Igreja com 2000 anos, eu diria que não espero um processo fácil. Primeiro, um processo de longo prazo exige muita energia, muitos procedimentos, que é aquilo que nós vemos nos documentos, nos guias, nas pistas, em toda a dinâmica que é colocada para que o processo seja levado a cabo. Por isso, em toda a estrutura e processos. E, por isso, o que é que eu espero?
Acredito e vejo que o processo está a ser levado a cabo de forma estruturada, o que ajuda a que ele consiga chegar a bom porto. Sempre muito reforçado na importância de, para além de tudo que é formal, procedimentos e estruturas, a oração estar lá. Aqui é a diferença para um processo que é feito à luz da fé, e com a fé e não só, diria, formal e organizacional. E isso, para quem acredita, faz a diferença. E, por isso, se não for feito com oração, e aquilo que é chamado o discernimento eclesial, e outros. E tudo o que... Se não for feito assim, eu diria que vai ser muito difícil. Mas aqui a oração não pode estar fora disto, nem a individual, nem a, vou-lhe chamar a de conjunto e de comunidade. Considerando, como eu estava a dizer, a parte formal, e considerando que isto é feito, não é sozinhos, mas iluminados pelo Espírito Santo, tenho muita esperança naquilo que daqui vai resultar. Agora, como eu disse, é um processo longo. E num processo longo, e à escala a que ele é levado a cabo, há muita resistência. Não é surpresa haver resistência. Não é surpresa ver que há quem poderia fazer mais e não faz. Mas há esperança de que aparecem atores, e aparecem iniciativas onde nós não contávamos, porque o Espírito Santo não sopra onde nós queremos, onde nós esperamos. Sopra onde nós nem imaginamos, e da forma que nem imaginamos. E por isso aqui só pode resultar em coisa boa. Deixa-me acrescentar também a minha experiência no âmbito da Comissão Diocesana para o Diálogo Inter-religioso, onde temos feito, ao longo dos anos, um trabalho de escuta, de conhecimento e de diálogo. E acrescentar esta experiência, porque quando eu penso no processo sinodal, e sempre... Quer dizer, quer quanto estive envolvida, mais envolvida no processo sinodal, quer quando olho para os documentos, a dimensão da importância de alimentar o diálogo inter-religioso, e por outro a minha experiência desta… Como é que se diz? De fazer este diálogo, de o promover, é exatamente aquilo que eu vejo, que é um caminho sinodal. Porque nós não promovemos diálogo por decreto. Nós não fazemos algo, que dizemos “isto vai acontecer hoje”, e acontece. Isto exige escuta, exige vários momentos de encontro, exige ir visitar o outro, ir visitar a outra comunidade, e perceber como é que celebram a fé, perceber como é que se juntam. Perceber que hábitos têm de celebração e de estar em conjunto. E convidar também para a nossa comunidade. E precisamos de fazer isto várias vezes para perceber o que é que é específico do outro. E só conhecendo é que depois é possível ter diálogo. Por isso, para mim, a experiência que eu tenho tido no diálogo inter-religioso é a experiência daquilo que eu vejo que o Sínodo também promove. E por isso acho que é um bom exemplo.
P: Sobre a implementação do Sínodo em Portugal, acha que seria útil uma estratégia nacional? Que papel poderia ter a Rede Sinodal em Portugal?
Eu vejo muita vantagem em haver plataformas de partilha. Isso eu não tenho dúvidas. Naquilo que eu dizia, e que está nas pistas, que é: Nós temos que partilhar. Nós temos que ser… Há um lado da partilha, há um lado da transparência, e haver espaços de partilha e de discussão, sou totalmente a favor. Acho que a Rede Sinodal pode ter aí um papel muito importante. Quando entramos na lógica da estratégia, começamos a pensar quem é que define a estratégia, e quem é que vai andar a coordenar, e como é que vamos garantir que as respostas estão alinhadas com a estratégia. Ou então pode ser que terminologia não seja tanto ter uma estratégia. Ter uma plataforma de partilha, até de colaboração, onde nós conseguimos ir buscar não só ideias, mas buscar que nos possa ajudar, implementar um determinado projeto ou outro. Isso acho… Acho que esse é o caminho. Ou esse deveria ser o caminho, porque quando eu penso em plataforma, e pode ser digital, ou não. Sendo que, hoje em dia, penso muito no digital. Quer dizer, a tecnologia está ao serviço do Homem para o Homem fazer mais, e aí permite-lhe ir buscar, se calhar... Nós, se pensarmos nacional, daqui ao Sul, ou à ilha, a alguém que tenha uma iniciativa, uma competência específica que me ajuda a mim, que estou em Monção ou em Mirandela, e que de outra forma não chego lá. E por isso aqui, sair um bocadinho da fronteira… Sair, não é um bocadinho, sair da fronteira da Diocese, neste sentido, acho que só temos a ganhar. Sem receio. E aí não entrava na lógica de “estamos a ajuizar”. Não. Estamos é a colaborar, estamos a partilhar, estamos a inspirar. Temos aqui um sítio onde se pode fazer depósito, se quiser, de experiências e de partilhas. De competências, que nos podem chamar para ajudar noutras coisas. E aí não tenho dúvidas que a Rede Sinodal é e pode ser de muito valor acrescentado.
Sofia Salgado é gestora e docente na Universidade Católica Portuguesa. Pertence à Rede Sinodal em Portugal colaborando na iniciativa “No coração da esperança”, uma parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Paulo Terroso: “sinodalidade é o método cristão de tomar decisões”
O sacerdote colabora com a Comissão de Comunicação da Secretaria Geral do Sínodo e considera que são necessárias atitudes muito concretas de aplicação do Sínodo na nossa realidade. É o episódio 8 da iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal.
A fase de implementação do Sínodo decorre entre 2025 e 2028 seguindo as palavras do Papa Leão XIV. A Rede Sinodal em Portugal apresenta aqui o episódio numero 8 da iniciativa “No coração da esperança”. Uma parceria inovadora de comunicação que faz caminhar em conjunto Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo. Desta vez o entrevistado é o padre Paulo Terroso, responsável pelo Departamento Arquidiocesano de Comunicação Social de Braga e colaborador da Comissão de Comunicação da Secretaria Geral do Sínodo.
P: Que leitura faz do documento "Pistas para a implementação do Sínodo" publicado pela Secretaria Geral do Sínodo?
Foto: Rede Sinodal
R: “Nós estávamos à espera deste documento, até com alguma ansiedade, depois da morte do Papa Francisco. Já tínhamos indicações da Secretaria que sairia este documento. Os primeiros sinais do Papa Leão XIV, também eram muito positivos nesse sentido da sinodalidade. Ele falou e disse uma coisa também importante no âmbito da sinodalidade, depois no encontro com os cardeais, logo um ou dois dias depois: que a 'Evangelii Gaudium’ era a atualização do Concílio Vaticano II. Penso que são palavras fortes e também merecem uma reflexão muito importante também para a sinodalidade. Porque o objetivo da sinodalidade, como da “Evangelli Gaudium”, como dizia o Papa Francisco, é precisamente transformar a Igreja numa comunidade de discípulos missionários. A sinodalidade existe para a missão, existe para que a Igreja possa evangelizar neste século XXI, neste novo milénio.
E saiu este documento que em si não é uma surpresa, nós já tínhamos indicações, mas eu gostaria de sublinhar algumas ideias fortes. Primeiro: concretizar, aterrar. Temos um itinerário e agora compete às igrejas locais, isto é, às dioceses nas suas realidades, naquilo que são os seus órgãos colegiais, concretizar essa vida de sinodalidade. Portanto, a sinodalidade não pode ser vista já como horizonte. Nós precisamos ter atitudes muito concretas de aplicação na nossa realidade e, portanto, é por isso que nós temos estas pistas.
É muito interessante já este nome pistas, porque significa que cada igreja local, a partir do documento final e a partir também deste documento que ajuda a aplicação, e também com o apoio da Secretaria Geral do Sínodo, aplique nas suas dioceses ou arquidioceses aquilo que é o documento final. Portanto, que é um programa, até em certo sentido bastante ambicioso. Claro que ao dizer que é ambicioso: ‘Ah bom, é muito difícil...' Não! Temos que dar os primeiros passos: coragem, perseverança e concretizar a corresponsabilidade, o discernimento e a formação. Eu diria que é algo que nos aparece desde o início, em 2021 quando iniciámos este processo sinodal, esta é a terceira fase, já agora, de aplicação do sínodo, como a Constituição Episcopalis Communio determina: que haja três fases auscultação, celebração e depois aplicação. A formação esteve sempre presente, nós precisamos de formação. Não só especificamente formação para sinodalidade, mas em todos os sentidos. Eu acho que parece evidente e é isso que emergiu de uma forma constante em todas as várias fases deste processo sinodal.
Portanto, precisamos de discípulos, que se formem na intimidade com o Senhor, na escola do Senhor, que participem e sejam testemunhas também da sua ressurreição, para depois serem missionários e verdadeiramente viver o discipulado na sua inteireza. A formação, a formação para o discernimento, para conversação no espírito, a corresponsabilidade, a dinamização das equipas sinodais e a revitalização, porque, entretanto, algumas foram desativadas e a revitalização de outras com novos membros é fundamental, para termos uma Igreja de discípulos missionários e para concretizar aquilo que o Papa Francisco nos dizia no “Evangelii Gaudium”: uma renovação eclesial inadiável. Portanto, temos que evangelizar, temos que tornar presente Cristo vivo, ressuscitado aos homens e mulheres de hoje. A sinodalidade existe precisamente para ser Igreja missionária.”
P: Quais as suas expectativas sobre a dinâmica sinodal global neste processo até 2028?
R: “Às vezes, eu próprio, confesso, sou muito realista, mas um realista às vezes quase cético nalgumas coisas. Mas eu explico em quê: há uma certa retórica que existe, mas que depois, na realidade não se concretiza e, nesse sentido, também a informação para a sinodalidade é importante, porque acho que ainda há muito desconhecimento do que é a sinodalidade. Ainda há pouco tempo eu falava de um determinado assunto que tinha sido abordado em Conselho Presbiteral e alguém dizia: “Mas bem, é um conselho meramente consultivo” – o meramente já me faz alguma confusão. Não perceber que a sinodalidade, ainda que o Conselho seja consultivo, é fazer que estes órgãos colegiais ou de consulta, se quisermos chamar assim, estes conselhos, entrem num processo de decisão. Ou seja, o processo de decisão tem um método e não é simplesmente: “Eu escutei algumas coisas e isso não me vincula de algum modo”.
Portanto, é ter processos, métodos de discernimento e processos para tomar decisões e depois de avaliar, aplicar essas decisões. Isso significa uma mudança de mentalidade e, portanto, envolver estes conselhos que podem ser pastorais, presbiterais, conselho de vigários, seja o que for, nesse método sinodal, que é um processo de tomar decisões. Se calhar, às vezes nós podemos dizer que a sinodalidade é o método cristão de tomar decisões. Ou seja, até usando três verbos muito caros à espiritualidade inaciana: procurar, encontrar e eleger a vontade de Deus. Procurar a vontade de Deus, encontrá-la e depois assumi-la como nossa. É isso que me pedes, é isso que eu quero para a minha vida, é isso que nós queremos para a vida da nossa comunidade. É isso que nós queremos para a vida da nossa Igreja.
Tenho insistido muito nisto: é preciso itinerários, fazer itinerários, ou seja, colocar marcos e metas ou etapas a atingir e depois entrar num processo da vivência da sinodalidade na vida da Igreja. Isso é extremamente fundamental. Caso contrário estamos e continuamos no mundo da boa vontade. Não gostaria de aplicar isto à sinodalidade, muito menos à Igreja, mas como diz o nosso povo: de boas vontades está o nosso inferno cheio, ou de boas intenções.”
P: Em Portugal, acha que seria útil uma estratégia nacional para a implementação do Sínodo? Que papel poderia ter a Rede Sinodal em Portugal?
R: “Sim, é fundamental. E eu gostaria de começar logo por sublinhar este aspeto: acho que já está bem presente no episcopado, na Conferência Episcopal Portuguesa, que são necessários itinerários e a vivência da sinodalidade. Agora é importante concretizar. É fundamental criar itinerários com metas na medida do possível, bem definidas, muito claras.
E claro, haver uma estratégia nacional permite aproveitar todas as sinergias, colocar em rede vários movimentos, vários grupos que estão entusiasmados com este processo sinodal, sendo que a Rede Sinodal é aquele que é o mais destacado, se calhar o único mesmo até em Portugal, pelo menos não conheço outro. E aproveitar este entusiasmo de pessoas que já estão convencidas da necessidade de uma Igreja sinodal. Porque uma das grandes dificuldades que ainda vamos tendo e o próprio documento, que fala sobre estas pistas, orientações para a aplicação do documento final, diz precisamente isso: que ainda há resistências, pessoas que não estão convencidas. Ainda há pessoas a entusiasmar para este caminho.
Por isso, o facto de haver já um conjunto de pessoas que têm conhecimento de boas práticas, que procuram concretizar na sua realidade também já aquilo que é uma Igreja sinodal ou deve ser uma Igreja sinodal, constituído por leigos e leigas, religiosos e religiosas de vários âmbitos da vida pública. Por padres também, eu sou um deles. Se nós queremos efetivamente colocar em prática uma Igreja sinodal e este documento final e estas pessoas já têm leitura, já têm uma reflexão, já têm vindo a amadurecer ao longo do tempo aquilo que é todo este processo, e isso também é importante, eu acho que não podemos, simplesmente, desconsiderar ou achar que podemos dispensar. Mas esta é a minha perspetiva, evidentemente que não quero pôr, nem ninguém da Rede Sinodal quer impor o projeto absolutamente a ninguém. O projeto vai continuar, estamos entusiasmados. Vamos fazendo na medida daquilo que são as nossas possibilidades. Aquilo que também é a nossa agenda.
Mas, enfim, se alguém te oferece alguma coisa boa, está disposto a colaborar contigo, é bom! Porque razão não vais acolher essa oferta? Eu creio que a determinado momento, creio não, aconteceu que, em determinado momento, a Rede Sinodal disponibilizou-se à Conferência Episcopal, para ajudar precisamente na aplicação e implementação do documento final e a estar disponível para aquilo que for necessário neste âmbito, certamente noutros âmbitos. Portanto, isto para dizer o quê? Sim, a Rede Sinodal como todos aqueles que queiram colaborar na implementação do Sínodo, temos que acolher, temos que fazer esta realidade que todos, todos, todos que o Papa Francisco pronunciou cá há dois anos, é uma realidade na vida da Igreja.”
Paulo Terroso é sacerdote da arquidiocese de Braga e responsável do Departamento Arquidiocesano de Comunicação Social. Colabora com a Comissão de Comunicação da Secretaria Geral do Sínodo. Pertence à Rede Sinodal em Portugal colaborando na iniciativa “No coração da esperança”, uma parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Foto: Rede Sinodal
Sónia Neves: Sínodo é caminho de alegria em Igreja de portas abertas
A jornalista considera que a sensibilidade feminina traz à Igreja um especial acolhimento das diferenças. Sublinha a importância da comunicação no processo sinodal e assinala a necessidade de “espaços de participação em que as pessoas possam ser escutadas”.
Apresentamos aqui mais uma etapa da iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal. É o episódio numero 7 que dá continuidade à produção de conteúdos sinodais, nesta fase de receção do Documento Final do Sínodo. Desta vez a entrevistada é a jornalista Sónia Neves, diretora do jornal Correio de Coimbra, o semanário daquela diocese.
P: Após três anos de um caminho sinodal que envolveu milhões de pessoas e de duas sessões do Sínodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do Sínodo?
R: “Este documento traz-nos aqui uma perspetiva muito própria daquilo que é o sonho do Papa Francisco para um novo estilo de Igreja. Eu recordo as palavras do Papa na altura da JMJ em 2023, em Fátima, olhando para a Capelinha das Aparições e dizer, mais ou menos por estas palavras, que gostava que a Igreja fosse como a capelinha das Aparições. Sem portas. É assim que eu vejo este novo estilo de Igreja, sem portas. Uma Igreja que, aberta ao mundo, aberta aos outros, com todo o caminho que já fez com estes 2000 anos de história, mas como Igreja que está, além de portas abertas, com uma mentalidade de olhar para o mundo e de responder àquilo que o mundo precisa nos dias de hoje. E é isto que eu acho que o caminho sinodal nos traz e que este documento nos vai mostrar.
Repare-se que o documento foi elaborado por todos aqueles que estiveram na Assembleia, por tantos e tantos contributos de comunidades, de grupos, de movimentos, com tantas diferenças, vivências diferentes, culturas diferentes, geografias diferentes. Tudo isso culminou neste documento que agora é para a Igreja Católica Universal. É um desafio estas portas abertas, porque nestas portas abertas temos que incluir todos. Estas diferenças estão ali todas incluídas. E neste sentido, este novo estilo de Igreja, ao mesmo tempo e pensando neste documento, faz-me pensar nas primeiras comunidades cristãs. Reuniam-se, um bocadinho todas a medo. Reuniam-se com aquilo que tinham de melhor, diferentes, um que foi chamado, o outro que soube, mas eram todos diferentes. A saber pouco, mas a quererem saber mais. Eu acho que a Igreja neste momento está nesta fase. Nestas diferenças todas, mas com um ponto em comum muito interessante, em que as comunidades cristãs eram conhecidas: 'Vede como eles se amam’. É isso que faz falta a esta nossa Igreja, que é mostrar ao mundo. Afinal, estamos vivos, estamos aqui, servimos e amamo-nos. À semelhança de Cristo, que ama a sua Igreja.
E depois há outro ponto que eu gostava aqui também, porque em família é assim: quando nós abrimos as portas da nossa casa, abrimos com tudo à vontade, de querer acolher, mas também com uma alegria de termos a casa preparada para receber quem vem. E é uma coisa que eu acho que nós temos muito caminho a fazer em igreja, que é o caminho da alegria. Nós temos a nossa Igreja de portas abertas para acolher todos. E o Sínodo traz-nos isto também, a alegria que muitos sentiram, os que participaram naturalmente na assembleia sinodal, de estarem juntos. A alegria de partilharem aqueles momentos, de partilharem as suas experiências, de testemunharem. Esta alegria tem que ser passada cá para fora. Esta alegria de acreditarmos no mesmo, e sermos felizes na nossa fé. Estas portas abertas também nos vêm dar este compromisso de passar aos outros a alegria”, afirmou Sónia Neves.
P: O Papa tem insistido e dado o exemplo em algumas nomeações, no sentido de que seja dado um maior protagonismo às mulheres na Igreja. A sua sensibilidade feminina como vê o processo sinodal que entra agora na sua fase de receção nas comunidades de todo o mundo?
R: “Eu vejo com muita alegria, naturalmente. Quando nós vemos uma mulher a ter a mesma dignidade que um homem, seja na sociedade seja na Igreja, para mim tem que ser uma alegria. Porque nós somos todos iguais e criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, porquê haver estas diferenças? A mulher é tanto, ou mais, ou menos, é igual ao homem. Portanto, na sua diversidade, nesta diferença que eu falava, a mulher tem que ser acolhida. E a sensibilidade feminina tem de trazer à Igreja esta alegria que eu falava, este acolhimento das diferenças.
E depois todo este caminho ao nível sinodal, também temos que ver que teve mão feminina. Eu diria se calhar mais do que mão. Teve pensamento, teve acolhimento, teve serviço. Enfim, tantas foram as mulheres que estiveram envolvidas neste processo sinodal. E não falo só nas assembleias sinodais. Vejamos todas as comissões sinodais, todos os grupos que se foram reunindo e o conteúdo que foi, tendo juntado para todos os documentos que chegaram ao Vaticano, para chegarmos depois a este documento final, tiveram lá mulheres. E que bem, e ainda bem que as tiveram. Então este rosto feminino traz muitas vezes, ou quase sempre, posso eu agora aqui dizer, uma visão diferente da Igreja. Um acolhimento diferente.
E eu gostava aqui também, nesta minha perspetiva feminina e neste espaço que é dado, de dizer, no âmbito da Igreja Católica, neste acolhimento do documento final, que as nossas comissões sinodais, onde estão também integradas, e bem, mulheres: Não podemos baixar os braços. As comissões sinodais têm de olhar para este documento, que agora receberam, como algo a fazer alguma coisa. Porque estas comissões foram criadas, foram sonhadas. Houve tanto trabalho feito, que agora não pode ficar sem horizonte. E este horizonte, este documento, é para ser trazido para as comunidades. Na minha perspetiva também, estas comunidades precisam destas comissões sinodais para haver aqui um ritmo, para ser dado a conhecer o documento final. E que não olhemos só para o senhor padre, que tem ou que está à frente de uma comissão sinodal. Acho que os leigos aqui têm o papel de conhecer o documento, de ter informação sobre o que é a sinodalidade, este caminho conjunto. Porque os leigos têm de formação, podem ser braços direitos dos senhores padres, de todos os clérigos, e só assim é que nós conseguimos caminhar em conjunto. É formando aqui equipa. É assim que eu vejo o trabalho em Igreja, é fazendo equipa. Não somos mais nem menos uns do que outros. Só em conjunto, este caminho conjunto fará sentido. Todos dando um bocadinho de si, estando ao serviço nesta formação importante para os leigos.
E há outra coisa que eu acho que é importante, que é: sendo leigos batizados, muitos de nós crismados, encontrarmos um espaço na Igreja para o nosso compromisso. E aqui falo muito, por exemplo, dos jovens. O Papa falava que os jovens fazem o crisma e depois é a debandada. Mas o que é que a Igreja tem para lhes oferecer? No seu caminho catequético, é preciso que tenham a experiência de Deus, a experiência da fé. E nesse sentido, os leigos, seja na catequese, seja em animação de grupo de jovens, seja nas celebrações, são precisos para que os jovens percebam a alegria do compromisso. Esta alegria também feita em comunidade. Porque se um jovem, ou se qualquer leigo, entra numa comunidade em que não se sente acolhido, em que não se sente confortável, em que sente uma comunidade triste, ninguém quer ali estar. É um caminho que pode ser feito, uma mentalidade que pode ser aqui mudada. É preciso haver espaço para isso. Esta formação dos leigos, volto a dizer.
A outra coisa, é haver aqui espaços de participação em que as pessoas possam ser escutadas. Durante o caminho sinodal isso foi acontecendo, mas eu acho que isso não pode ser perdido. Porque as pessoas, ao escutarem-se umas às outras, há aqui uma riqueza muito grande. E se vão-se sentindo confortáveis e é necessário à Igreja, que pretende ser de portas abertas e que acreditamos que é esse o caminho, precisamos de nos escutar uns aos outros. Essa é a riqueza da partilha. É a riqueza da melhor mensagem que nós temos”, declarou a jornalista.
P: Que especial contributo pode dar a comunicação neste tempo de aplicação das conclusões do Sínodo nas comunidades em Portugal?
R: “Pegando nesta minha última expressão, que é, a Igreja tem a melhor mensagem a comunicar. Só que às vezes não a sabemos comunicar. Nós sabemos que esta é a melhor mensagem. “Amai-vos uns aos outros”, é a mensagem da Igreja. Por que é que nós não a comunicamos? Será que não a vivemos? Será que nos é difícil mostrar ao outro que sentimo-nos felizes neste serviço que é amar o outro? Então o que é que nos falta? Falta-nos sentir esta necessidade de evangelizar? Ficamos aqui num ponto em que a comunicação precisa de ser aqui mais do que uma necessidade, precisa de ser um privilégio muito grande da Igreja. Precisa de ser uma aposta. E quando se fala em comunicação, eu não estou só a falar nos gabinetes de comunicação, não estamos só a falar nos meios de comunicação. Eu falo em comunicação de todos. Qualquer catequista, qualquer animador de grupo de jovens, qualquer sacerdote, do alto de uma homilia, precisa de saber comunicar. Todos nós sabemos comunicar. Uns bem, outros mal. Todos nós precisamos de saber comunicar melhor. Sem dúvida nenhuma.
Neste sentido, e eu acho que também aqui uma grande mais valia neste caminho que a Rede Sinodal está a fazer, e esta grande parceria com vários órgãos de comunicação social, para dar aqui a entender que os órgãos de comunicação social são um grande poder, um poder em Igreja, mas também aqui unidos, que é aqui uma grande mais valia de mostrar este caminho em conjunto, aqui também nesta parceria, mas de mostrar como a comunicação pode ser o fator chave de chegar a estas conclusões do Sínodo, de chegar a todos. Até de haver aqui, através destes órgãos de comunicação social, a formação necessária, do que é isto do Sínodo. Porque para muitas comunidades, o que é uma pena, a meu ver, ainda é algo muito distante. É algo que aconteceu no Vaticano. Ainda não chegou às comunidades. Então, que seja também pela comunicação social, e por esta aposta de esclarecer, de levar esta informação do Sínodo, desta Igreja nova, deste novo estilo de Igreja que o Papa nos pede. Que seja também por estas parcerias e por este trabalho em rede, de chegar a todos, todos, todos”, concluiu.
Sónia Neves é jornalista e trabalhou durante 14 anos na Agência Ecclesia. Desde 2024 é diretora do jornal Correio de Coimbra que é o semanário da diocese de Coimbra. Pertence à Rede Sinodal em Portugal colaborando na iniciativa “No coração da esperança”, uma parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Sílvia Monteiro: aplicar o Sínodo é “cuidar de pessoas concretas”
Partindo do seu contacto com doentes, a médica assinala a importância da Igreja “habitar as periferias” existenciais junto dos que mais sofrem. Afirma que “só o amor é que nos pode abrir caminho à esperança”, pois, “o segredo do amor é cuidar”. É o episódio 6 da iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal.
A iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal continua a produzir conteúdos sinodais e nesta fase de receção do Documento Final do Sínodo apresenta aqui o episódio 6 desta produção. É a segunda parte da entrevista com a médica Sílvia Monteiro.
P: Tendo em conta que na primeira fase do Sínodo foram constatadas algumas "doenças" na Igreja, como o clericalismo, por exemplo, que ajuda pode dar a comunicação médica para que a aplicação das conclusões do Sínodo possa ser, em certo sentido, terapêutica?
Foto: Rede Sinodal
R: “Esta é uma pergunta difícil, mas vou aqui procurar estabelecer uma analogia entre as duas áreas. Bom, em medicina, quando se desenvolve evidência científica com os ensaios clínicos, periodicamente são elaboradas guidelines. Ou seja, recomendações que todos nós, e isso é particularmente verdade em cardiologia, todos nós conhecemos bem, estudamos e depois temos que aplicar na nossa prática clínica, em cada organização e em cada doente que temos à frente. E de facto, há barreiras muito importantes na implementação. E esta é uma noção importante que queria deixar aqui. Nós podemos saber tudo, mas a implementação em cada caso clínico concreto é difícil, e existem barreiras importantes.
E por isso, qual é que eu acho que é a principal característica que todos temos que ter. Antes de mais, acreditar. Ou seja, eu tenho que acreditar que aquela estratégia que está ali naquele documento vai mudar o prognóstico do meu doente, porque se eu acreditar, vou tentar ultrapassar todas as barreiras. Ora, para implementar o nosso documento sinodal é preciso, antes de mais, acreditar. Acreditar que esta é a nova forma de ser Igreja, que Deus nos está a conduzir para os nossos dias, de hoje. E, portanto, isto exige - para acreditar - exige uma conversão pessoal e comunitária. Só desta forma é que vamos ter a resiliência e a motivação ecessária para ultrapassar as barreiras que, obviamente, vão ser muitas.
Depois, outra coisa importante, que vem um pouco desta experiência da prática clínica: se não podemos chegar a todo o lado, temos que definir prioridades. Focar naquilo que é essencial. Depois, partilhar boas práticas. Não precisamos todos de inventar a roda. O que já está a ser bem feito por outras comunidades, vamos aplicar também nas nossas. Naturalmente que a Igreja precisa muito de otimizar a sua organização, avançar para a inovação. Porque não? Contudo, o essencial vai ser mesmo caminharmos todos juntos e deixarmo-nos iluminar pelo Espírito Santo.
Falou em comunicação médica e, de facto, a Igreja e a medicina têm em comum, no fundo, promover a dignidade da vida humana. Isto é, cuidar de pessoas concretas, com um rosto, com uma história, com uma família, como nós. E eu penso que esta tem que ser a centralidade da nossa ação. Cuidar da pessoa humana. E, enquanto médica, permita-me que diga isto. Parece-me que o cuidar da pessoa é, sem dúvida, uma experiência de humanização brutal, que partilho enquanto médica, enquanto mulher de Igreja, que nos ensina qual é que é o nosso propósito de vida e que nos permite efetivamente cumprir plenamente a nossa missão. Quando falamos de comunicar, e comunicar com pessoas, doentes ou não, é muito importante cuidarmos da nossa linguagem. E a linguagem deve ser sempre muito clara, aberta, muito colaborativa, muito próxima, sempre num ambiente de diálogo e partilha.
Lembro sempre, na mensagem para as Comunicações Sociais - penso que no ano de 2023 -, o nosso querido Papa Francisco convidava os jornalistas, mas no fundo, a todos nós, a falarmos com o coração, e a testemunhar a verdade no amor. E este é o grande segredo da comunicação interpessoal. É muito importante, exigente, porque exige-nos um coração purificado. Para falarmos com o coração, ele tem que estar purificado. E, no fundo, obriga-nos a uma entrega total. Somos pessoas por inteiro à frente da pessoa, do meu doente, que tenho à frente, e em que entregamos tudo. E, portanto, inteiramente todo o nosso ser. E, portanto, trazer também esta forma de comunicar para a Igreja parece muito interessante neste contexto. Sobretudo numa altura em que claramente a sociedade tem uma postura muito indiferente à mensagem de Cristo. Parece-me que a Igreja perdeu a capacidade de tocar a vida concreta das pessoas. E, por isso, acho que todos, em conjunto, precisamos de melhorar a nossa comunicação.
Para isso, precisamos de novas linguagens, novas estratégias. Precisamos de novos testemunhos de vida, muito inseridos no mundo de hoje, para podermos então, no fundo, comunicar de uma forma apaixonada as maravilhas do amor de Deus para nós. Penso que a nossa comunicação tem que, de alguma forma, tocar diretamente a vida concreta das pessoas. Não podemos falar para o abstrato. É fundamental ir ao concreto da vida. Claro que estamos em tempos muito difíceis, em tempos difíceis dentro da Igreja, no mundo. E às vezes apetece desanimar e parar. Acho que não é esse o tempo. E queria deixar aqui uma mensagem positiva. Acho que este é o tempo em que precisamos de sonhar, sonhar na construção desta nova forma de ser Igreja. Acredito que este é o tempo de percebermos que só o amor é que nos pode abrir caminho à esperança. Aquela esperança que nos abre caminhos de transcendência e, sobretudo, que nos dá a coragem para sairmos de nós próprios, para assumirmos a vida como um dom e para entregar esta vida por inteiro ao serviço da humanidade.
Já a terminar, queria deixar aqui uma última ideia. Que falámos na necessidade de prioridades. E eu penso que nesta altura, e nesta fase de implementação, em que são necessárias muitas, muitas coisas ao mesmo tempo, eu acho que é muito importante que cada comunidade pare para pensar quais são as suas prioridades. E a pergunta que tem que responder é: Onde é que nós não podemos mesmo falhar? Nas nossas ações, qual é a nossa prioridade? Na minha perspetiva, parece-me que a Igreja deve ir ao encontro, e deve habitar, sobretudo, as periferias. E permita-me que fale aqui da pessoa doente, que me é muito cara. Esta tem que ser uma prioridade para a Igreja: acompanhar a pessoa doente, particularmente a pessoa em cuidados de fim de vida, acompanhar as suas famílias. Cuidar da pastoral do luto que tem tido muito pouco impacto na nossa Igreja. Penso que não há fragilidade maior que esta. É aqui que a Igreja tem que estar. É fundamental acompanhar e apoiar todas as formas de pobreza. Enfim, os migrantes, as vítimas de abusos sexuais. Eu penso que aqui é a área em que não podemos falhar. Não vale a pena estarmos a pensar em grandes eventos, e mais eventos, e muitas pessoas, se esquecemos estas periferias. Na minha perspetiva, começamos por aqui. Se depois temos tempo, então vamos avançando noutras áreas. Mas penso que este circuito tem estado um pouco invertido.
E depois, neste mundo, eu penso que todos nós, cada um de nós, povo de Deus, tem de facto que se preocupar, que se deixar ferir interiormente para ir ao encontro do outro e para sujar as mãos e fazer alguma coisa. Porque eu acho que o grande desafio dos nossos dias é mesmo cuidar de cada pessoa em concreto. Temos que deixar o abstrato, as ilações. O estarmos a falar não sabemos bem para quem. Não. A nossa ação tem que ser para pessoas em concreto, colocar sempre a pessoa no centro. E, no fundo, unirmo-nos em torno deste bem comum. Porque se há coisa que eu tenho aprendido até nos últimos tempos, por experiência pessoal, é que realmente o segredo da vida é amar. E o segredo do amor é cuidar. A terminar, e numa altura em que rezamos pelo nosso querido Papa Francisco, que atravessa uma fase tão crítica, queria lançar aqui o desafio. Tenhamos a coragem de colaborar com este legado, este grande legado que o Papa Francisco nos deixa de construir uma Igreja inclusiva, missionária, uma Igreja em saída, de portas abertas, que não tem medo de percorrer as estradas do mundo, as periferias da humanidade, sempre centrados no verdadeiro espírito do Evangelho. Uma Igreja sinodal em que caminhamos todos juntos, iluminados pelo Espírito Santo, e guiados apenas pela vontade de Deus.
Sílvia Monteiro é médica cardiologista em Coimbra e pertence à Rede Sinodal em Portugal colaborando na iniciativa “No coração da esperança”, uma parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Foto: Rede Sinodal
Sílvia Monteiro: “espiritualidade e relação” para a aplicação do Sínodo
A médica considera que “se não cuidarmos desta profundidade espiritual e relacional, corremos o risco de que a sinodalidade possa ser apenas um conjunto de processos meramente burocráticos e organizativos”. É o episódio 5 da iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal.
A iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal continua a produzir conteúdos sinodais e nesta fase de receção do Documento Final do Sínodo apresenta aqui o episódio 5 desta produção. A convidada desta vez é a médica Sílvia Monteiro.
Após três anos de um caminho sinodal que envolveu milhões de pessoas e de duas sessões do Sínodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do Sínodo?
Estamos perante um documento muito importante. Toca-me o consenso alargado que foi possível depois de escutar tantas vozes de tantas latitudes e, portanto, penso que é um documento que exprime bem aquela que é a vontade do povo de Deus, seguramente inspirado pelo Espírito Santo.
Do documento, eu gostaria de salientar duas dimensões que me tocaram especialmente. Uma delas, a necessidade de renovação espiritual e a outra, a conversão relacional. Porventura, não seriam dois temas que estávamos à espera, sobretudo este cuidado com as relações, que estivesse ali explícito. Mas, de facto, na minha perspetiva, estas duas dimensões - espiritualidade e relação -, porventura podem ser a chave do sucesso da implementação deste documento sinodal. De facto, é absolutamente fundamental. E, note, se não cuidarmos desta profundidade espiritual e relacional, corremos o risco de que a sinodalidade possa ser apenas um conjunto de processos meramente burocráticos e organizativos. E, portanto, penso que é essencial que cada comunidade procure encontrar espaço para este crescimento espiritual de todos os seus membros. Obviamente, é um trabalho que é contínuo, que exige formação, exige acompanhamento espiritual, mas exige sobretudo, como nos diz o documento, uma conversão do coração.
E aqui podemos olhar para a nova Encíclica do Papa, que nos interpela a olhar para a centralidade do coração. De facto, aquele lugar onde se revela o nosso verdadeiro ser E, portanto, na minha perspetiva, este tempo de implementação da sinodalidade é o tempo de, sobretudo cada um de nós, olhar para dentro, para o mais profundo do seu ser, para procurar quais são as suas sedes, para reconhecer onde é que as pode, no fundo, colmatar. Nesta certeza que é Jesus que vem ao nosso encontro, e procura-nos na nossa fragilidade, onde estamos, como somos. E, portanto, o grande segredo da sinodalidade, na minha perspetiva, é precisamente esvaziarmo-nos de nós. E esse tem que ser o primeiro passo. Temos que nos esvaziar das nossas certezas, dos nossos preconceitos, para podermos abrir o nosso coração às surpresas e maravilhas de Deus, e aí estarmos abertos à opinião do outro e fazermos este caminho em conjunto.
Depois, o outro conceito de que falei, e que emerge neste documento, é esta necessidade de cuidarmos das relações na Igreja. E de facto faz sentido numa Igreja que se apresenta tantas vezes de uma forma distante, fria, formal, é muito importante cuidarmos das relações, desde logo da nossa relação com Deus, mas também das relações dentro dos próprios elementos da Igreja e, naturalmente, fazendo pontes para o mundo. Como fazer isso? Bom, nós temos um grande líder, Jesus Cristo, que nos mostra exatamente qual é que é o rosto divino do nosso Deus. Um Deus Amor, que é proximidade, é ternura, é compaixão. E, portanto, isso deve ser o nosso exemplo, e ao lermos o Evangelho, encontramos, de facto, em quase todas as passagens, os gestos concretos que Jesus faz, no sentido de aprofundar esta relação com aqueles que cruzam o seu caminho. E penso que este tem também que ser o nosso caminho, não termos medo dos gestos. E deixo aqui alguns gestos que me parecem particularmente importantes.
É importante parar para olhar, olhos nos olhos. Aqueles olhares que estabelecem relação, e que dão vida. Mas é importante percebermos também a importância e o poder transformador do toque, para voltarmos a abraçar, a beijar, a segurar na mão. Precisamos de escutar. E este é também um elemento muito importante deste documento. Escutar com o ouvido do coração, como nos fala o Papa Francisco, nesta atitude de acolhimento, de aceitarmos e respeitarmos a singularidade de cada pessoa.
Depois dois outros aspetos muito importantes que a Igreja precisa de trabalhar: é desenvolver a empatia e a compaixão. Duas “skills” muito importantes em todos os contextos humanos, mas particularmente na Igreja. Esta sensibilidade para reconhecermos e compreendermos o sentimento do outro, isto é, empatia. Mas depois, passarmos ao patamar da compaixão que exige, no fundo, um compromisso da nossa parte para a ação e para ajudarmos o outro.
O Papa tem insistido e dado o exemplo em algumas nomeações, no sentido de que seja dado um maior protagonismo às mulheres na Igreja. A partir da sua sensibilidade feminina como vê o processo sinodal que entra agora na fase de receção nas comunidades de todo o mundo?
Sinto que agora vamos entrar na fase mais complexa e mais desafiante. A fase da implementação do que ficou decidido. A implementação na prática concreta das comunidades. Eu penso que todos nós temos esta noção, que a Igreja tem um trabalho imenso em todo o mundo, faz muito bem à humanidade e, portanto, não podemos interromper este trabalho que está em curso. E, portanto, o que é exigido à Igreja é exatamente fazer este trabalho de implementação das conclusões do Sínodo, em simultâneo com todo o seu trabalho, já em curso.
Há dias ouvi uma expressão muito interessante, que é mais ou menos como “mudar as quatro rodas num carro, com o carro em andamento”. E, por outro lado, nós conhecemos bem a realidade atual da nossa Igreja portuguesa. Uma Igreja com poucos recursos, com um clero envelhecido, em número reduzido. E, portanto, eu penso que temos aqui, de facto, um desafio que é enorme. Sabemos que há algumas resistências, mas mesmo pensando nas nossas hierarquias que estão profundamente alinhadas com o Papa Francisco e com este espírito sinodal, acredito que mesmo estes líderes têm de facto dificuldades em definir qual a melhor forma de implementar.
E, portanto, penso que neste contexto, todos somos poucos, e é mesmo muito importante incluir toda a gente de boa vontade, toda a gente que tenha alguma coisa a acrescentar nesta temática, para divulgar, e para tentar implementar boas práticas de sinodalidade naquilo que são as comunidades e as suas realidades.
Eu penso que esta é, no fundo, a missão a que se propõe a Rede Sinodal. Enfim, com várias pessoas com experiência em áreas distintas, e, portanto, que tem este grande objetivo de incentivar, antes de mais, divulgar boas práticas e de alguma forma contribuir para esta implementação.
Numa perspetiva muito pessoal, parece-me que o segredo para a implementação tem que passar por uma abertura da Igreja à inclusão da diversidade. A Igreja não pode ter medo da diversidade. Não podem ser sempre as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, a fazer as coisas da mesma forma... Que vamos esperar que alguma coisa mude. A evidência científica tem mostrado em contextos diversos, de organizações, que a diversidade - e aqui falo em termos de género, de raça, de idade, de pensamento, estado de vida. Bom, as diversas formas de diversidade estão associadas a uma melhor performance em termos de eficácia e inovação. Acredito muito que a Igreja não seria diferente.
Por outro lado, o mundo em que vivemos é hoje muito complexo. Ninguém sabe tudo sobre tudo. E, portanto, é fundamental integrar aqui vários saberes, várias competências. No fundo, para ajudar a Igreja a caminhar. E parece-me crítico que a Igreja tenha a coragem de incluir leigos com perfis específicos e diferenciados, que possam, de alguma forma, trazer aqui também um critério de exigência e qualidade à nossa Igreja. Penso que, enfim, enquanto leiga, enquanto participante em muitas atividades, penso que a Igreja precisa cada vez mais de confiar também nos leigos, e confiar na maturidade da sua fé. Penso que hoje em dia é um contexto que... Que já merecemos essa confiança.
Falou na questão feminina e, portanto, aqui na diversidade, gostaria de dar uma palavra rápida à mulher. O rosto da Igreja é feminino, não é? Ninguém tem dúvidas disso. As mulheres estão sempre em maioria, quer no que diz respeito à participação nas celebrações litúrgicas, mas também em todo o serviço na Igreja. Enfim, somos mais. E pelo facto de sermos mais, também é mais fácil - a estatística mostra isso -, encontrar mulheres de qualidade, com competências. E, portanto, parece-me que este é um caminho que é inevitável. O Papa Francisco tem dado inúmeros exemplos. Contudo, eu deixava aqui um desafio às mulheres que nos estão a ouvir. Ninguém fará o nosso caminho por nós. Portanto, o que me parece absolutamente essencial é que cada uma de nós, mulheres, faça o seu discernimento. Perceba exatamente “qual é que é a missão que Deus tem para mim”. E, a partir daí, estarmos disponíveis para assumir o nosso lugar em Igreja. Notem, o lugar que nos foi confiado por Deus, pela graça do Batismo. E, portanto, não ficarmos demasiadamente presas a papéis, que nos são conferidos por alguém. Não. O nosso lugar é-nos conferido por Deus pela graça do Batismo. E, depois, estarmos disponíveis para colocar os dons que recebemos no feminino ao serviço da Igreja. E vou apenas citar alguns que são óbvios, como a capacidade de doação, do cuidado, da ternura, da compaixão, mas também da criatividade, da inovação. Uma espiritualidade que é necessariamente diferente, uma capacidade de comunicação mais positiva, menos agressiva. E, portanto, penso que estes dons ao serviço da Igreja poderão ser uma graça, e poderão ajudar a construir esta nova forma de ser Igreja que tanto ambicionamos.
Sílvia Monteiro é médica cardiologista em Coimbra e pertence à Rede Sinodal em Portugal colaborando na iniciativa “No coração da esperança”, uma parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Pode ler tudo aqui.
Rede Sinodal e Universidade Católica querem estudar a aplicação do Sínodo
Uma parceria de colaboração entre a Rede Sinodal em Portugal e o Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da Universidade Católica Portuguesa abre caminho a um estudo a ser realizado pela Equipa de Trabalho “Igreja Católica e Sinodalidade em Portugal”.
Desde a publicação do Documento Final do Sínodo em outubro de 2024 e a sua confirmação pelo Papa Francisco que teve inicio o processo de receção e aplicação das conclusões do Sínodo que decorreu entre 2021 e 2024.
É nesse espírito que a Rede Sinodal em Portugal e o Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) decidiram colaborar com vista ao desenvolvimento de um estudo sobre o processo de aplicação das conclusões do Sínodo.
Será, assim, constituída a Equipa de Trabalho “Igreja Católica e Sinodalidade em Portugal” que numa primeira fase, neste ano de 2025, fará uma análise compreensiva dos materiais recolhidos e criados pela Rede Sinodal.
Estudar o envolvimento das comunidades e de todo o Povo de Deus na receção das conclusões do Sínodo em Portugal é o principal objetivo desta parceria e do estudo que se seguirá, tal como está bem plasmado no número 87 do Documento Final do Sínodo onde se pode ler que “favorecer a participação mais ampla possível de todo o Povo de Deus nos processos de decisão é a forma mais eficaz de promover uma Igreja sinodal”.
Esta parceria é um dos vetores de trabalho da Rede Sinodal em Portugal que desde finais de 2024 está a realizar a iniciativa “No coração da esperança” com entrevistas em vídeo a várias personalidades, com publicação no YouTube e que refletem sobre o Documento Final do Sínodo e a sua aplicação. No âmbito desta iniciativa foram já entrevistados Tomás Halik, sacerdote e teólogo, João Duque, leigo, teólogo e pró-Reitor da UCP e Sérgio Leal, sacerdote e especialista em sinodalidade.
Foto: Agência Ecclesia
Foto: Padre Sérgio Leal
Sérgio Leal: “deixar para trás aquilo que já não serve”
“Ficarmos pela superficialidade nos processos nunca nos permitirá enfrentar esses processos com verdade”, alerta o sacerdote.
É o quarto episódio da iniciativa “No coração da esperança” produzida pela Rede Sinodal em Portugal. A segunda parte da entrevista do padre Sérgio Leal, docente da Universidade Católica Portuguesa e pároco de Anta e Guetim na diocese do Porto. Pode ler tudo aqui.
Sérgio Leal: “voltar às comissões sinodais diocesanas”
Para o sacerdote e especialista em sinodalidade, o “processo de aplicação” do Documento Final do Sínodo deve ter “a mesma amplitude que teve o processo de escuta”. Propõe a “mesma metodologia” da fase de diagnóstico para que seja possível “gerar um processo de discernimento”.
No dia 6 de janeiro, a Rede Sinodal em Portugal completou um ano de existência. Um site que nasceu na Epifania do Senhor de 2024, adorando o Menino Jesus. E quer manifestar a esperança no caminho da Igreja. Em ritmo e motivação sinodal, em conjunto, criando relações e sinergias.
A iniciativa “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal publica agora o seu terceiro episódio, numa parceria com os seguintes meios de comunicação social: Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
Desta vez, o convidado é o especialista em sinodalidade, Sérgio Leal, docente da Universidade Católica Portuguesa e pároco de Anta e Guetim na diocese do Porto. O sacerdote licenciou-se em 2018 na Universidade Lateranense sobre a sinodalidade como estilo pastoral, e concluiu doutoramento em 2024 na mesma universidade pontifícia com uma tese sobre o exercício do ministério pastoral numa Igreja sinodal. Pode ler tudo aqui.
Foto: Rede Sinodal
Foto: João Duque - Rede Sinodal
Direito Canónico na aplicação do Sínodo
O pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa e professor de Teologia considera que nesta fase de receção do Sínodo “o Direito Canónico pode ser libertador na medida em que institui estruturas que são exigidas aos líderes das comunidades”.
É o segundo episódio da iniciativa “No coração da esperança” produzida pela Rede Sinodal em Portugal. Desta vez, o entrevistado é o pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa e professor de Teologia, João Duque. Pode ler tudo aqui.
Tomáš Halík pede “milagre” para “mudar” a mentalidade “de alguns clérigos”
A Rede Sinodal em Portugal publica entrevista com o teólogo checo no âmbito da iniciativa “No coração da esperança”, promovida em parceria com os seguintes meios de comunicação social: Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.
O teólogo Tomáš Halík esteve recentemente em Portugal para lançar o seu livro “O sonho de uma nova manhã – Cartas ao Papa”. Em entrevista à Rede Sinodal em Portugal o sacerdote checo considera que “há muito boas ideias” no Documento Final do Sínodo, assinalando a importância do caminho a percorrer para “pô-lo em prática”.
Interpretar e pôr em prática o Documento do Sínodo
“O Sínodo deve libertar-nos deste clericalismo, de apenas ouvir e esperar”, afirma o padre Halik numa entrevista publicada no âmbito da iniciativa “No coração da esperança”. Pode ler tudo aqui.
Foto: Rede Sinodal (Rui Saraiva)
Foto: Sofia Salgado
Sínodo: nos Seminários a formação deve ser feita por homens e mulheres
Sofia Salgado é professora de gestão na Universidade Católica Portuguesa e colabora na formação de seminaristas. “Não acho que seja isolando homens e mulheres que alguma coisa vá ficar melhor”, declara.
Na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão e missão”, que está a decorrer em Roma, a ampla participação de mulheres é um dado muito significativo. Esta segunda sessão sinodal tem 368 membros com direito a voto e tal como aconteceu na primeira sessão em 2023, mais de 50 votantes são mulheres.
Com efeito, o aprofundamento “do lugar das mulheres na Igreja” e a “sua participação nos processos de decisão e na condução das comunidades” são temas objeto da reflexão de um dos grupos de trabalho formados pelo Papa no âmbito do processo sinodal.
Desmasculinizar a Igreja
E, recentemente, o Santo Padre assinou o prefácio de um livro com o título “Desmasculinizar a Igreja” publicado por três teólogos, duas mulheres e um homem: Lucia Vantini, a Irmã Linda Pocher e o padre Luca Castiglioni.
Nesse texto, o Papa revela que durante o processo sinodal chegou-se à conclusão da existência de uma falta de escuta das mulheres.
“Não escutámos suficientemente a voz das mulheres na Igreja”, escreve o Santo Padre, assinalando “que a Igreja ainda tem muito o que aprender com elas”. “É necessário que nos escutemos reciprocamente para ‘desmasculinizar’ a Igreja, pois a Igreja é comunhão de homens e mulheres que partilham a mesma fé e a mesma dignidade batismal”, declara Francisco.
O Papa deixa claro que ouvir as mulheres ajuda a rever projetos e prioridades. Avisa que “é preciso paciência, respeito recíproco, escuta e abertura” e deixa uma exortação: “não nos cansemos de caminhar juntos”.
Com o Espírito Santo a experiência da surpresa
Precisamente, para continuarmos a caminhar juntos fomos escutar uma mulher portuguesa que tem estado envolvida neste processo sinodal no seu país. Sofia Salgado é professora de gestão na Universidade Católica Portuguesa e administradora não executiva de empresas.
A sua experiência sinodal foi vivida na Comissão da sua diocese do Porto, mas também na universidade e dessa participação fica-lhe, desde logo, uma bela lição do Espírito Santo: a experiência da surpresa.
“É a experiência da surpresa. É que o Espírito Santo pode muito mais do que aquilo que nós imaginamos. E, por isso, vamos conseguindo, às vezes, por caminhos difíceis, fazer mais do que aquilo que podíamos imaginar”, afirma.
A professora recorda a experiência sinodal na Universidade Católica como muito gratificante, rica e com uma participação transversal de alunos e professores.
“Na Católica também fizemos um caminho sinodal e resolvemos fazer o desafio de chamar à escuta aqueles que estão mais afastados, sobretudo aqueles que dizem ‘eu não, porque estou afastado há muito tempo’. E quando nos diziam isso, respondíamos: ‘é mesmo tu que és convidado a estar nas reuniões’. E foi uma experiência muito rica e muito gratificante para as pessoas que participaram. Porque concluíram que era exatamente para elas que o Sínodo existia. E, de facto, são essas pessoas que querem ver mudanças. E estou-me a lembrar de pessoas divorciadas que se sentiram marginalizadas a seguir ao divórcio. E que entendiam, na paróquia onde costumavam celebrar a sua fé, que o pároco as deixou de fora. E então sentiram que deixaram de fazer parte da comunidade. E vieram aqui perceber que afinal estavam desatualizadas e que a Igreja é para todos. Nesta experiência, participou um grupo muito interessante de alunos, professores e membros de staff no qual ficou a vontade de continuar. Mas as pessoas também perguntam: “e o que é que resultou das nossas reuniões e da síntese enviada?”, disse.
Formação nos Seminários feita por homens e mulheres
Sofia Salgado tem uma especial experiência de formação com seminaristas na diocese do Porto, lecionando a disciplina de administração paroquial aos alunos do 6º ano. Sobre a formação nos Seminários considera ser muito importante que esta seja feita por homens e mulheres.
“É muito importante que a formação dos seminaristas seja feita por homens e mulheres e era importante que a vivência deles fosse entre homens e mulheres. Por todas as razões e mais algumas. Porque nós temos que aprender a saber estar a saber conversar, a identificar a diferença e a complementaridade. E não acho que seja isolando homens e mulheres que alguma coisa vá ficar melhor. E não encontro nada no Evangelho que me diga que assim deva ser. Jesus escolheu só homens para seus apóstolos, mas são mulheres que estão no anúncio e no discernimento de identificar a ressurreição”, assinala a docente da Universidade Católica.
“É muito importante que todos nos sentemos à volta da mesa”, diz Sofia Salgado comparando o caminho sinodal a um discernimento em família. “Se queremos decisões de família temos que estar em família” e “não podem ser só os pais a decidir para os filhos ou os filhos a decidir para os pais”.
Sofia Salgado colabora com a Rede Sinodal em Portugal o site que tem como missão abrir um espaço de informação sobre o Sínodo, apresentando num mesmo lugar o entusiasmo de quem está em movimento fazendo caminho juntos, na pluralidade e diversidade, promovendo o método sinodal em diálogo com o mundo. A XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos decorre até dia 27 de outubro.
Rui Saraiva, Vatican News
Sínodo: por um governo da Igreja mais colaborativo, mais equipa
A poucos dias do início da segunda sessão do Sínodo, a jornalista Sónia Neves, diretora do jornal “Correio de Coimbra”, assinala a importância de decidir em comunidade exercitando a escuta e o discernimento.
Já são poucos os dias que nos separam do início da segunda sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos que trata o tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão”.
Foto: Sónia Neves
O processo iniciado em 2021 decorrerá proximamente, de 2 a 27 de outubro, mas os dias 30 de setembro e 1 de outubro serão lugar de retiro. Destaque muito especial para a celebração penitencial de dia 1 na qual vão ser escutados testemunhos de pessoas que sofreram o pecado dos abusos, da guerra e da indiferença. Para já, existe uma certeza: o processo não terminará em 2024. O texto do Instrumentum Laboris (instrumento de trabalho) desta sessão assinala que este processo sinodal “não terminará no final de outubro de 2024”, pois as sessões destes dois anos, 2023 e 2024 “fazem parte de um processo mais amplo”.
“Estamos ainda a aprender como ser Igreja sinodal missionária, mas é uma missão que experienciámos poder empreender com alegria”, diz o texto.
O documento destaca especialmente a importância da metodologia sinodal da Conversação no Espírito, no caminho percorrido até ao momento. Por tudo isto e após 3 anos de caminho que uniu as dioceses de todo o mundo, com conclusões de diagnóstico muito semelhantes, é grande a expectativa para os dias que a Igreja se propõe percorrer no próximo mês de outubro.
Fomos ouvir a opinião da jornalista Sónia Neves, a nova diretora do jornal “Correio de Coimbra”, o semanário daquela diocese.
Foto: Igreja Açores/CB
Diocese de Angra nomeia primeira mulher ecónoma
A economista Carla Bretão é a nova responsável pelas finanças da diocese de Angra depois de ter sido nomeada pelo bispo D. Armando Esteves Domingues, com o parecer favorável do Colégio de Consultores e Conselho de assuntos Económicos.
A nomeação do bispo de Angra é apoiada pelo Conselho dos Assuntos económicos e Colégio de Consultores
A nomeação da atual Ecónoma Adjunta, desde 2021, assenta no reconhecimento do profissionalismo do serviço de Economato e na possibilidade de leigos competentes nesta área poderem contribuir com o seu desempenho para o funcionamento da diocese.
“Fiquei agradada e muito contente pela confiança redobrada que a Diocese tem colocado no meu trabalho e na equipa que me acompanha na condução dos destinos financeiros da diocese. Para nós é o reconhecimento de que estamos a fazer o melhor pela nossa diocese” disse a nova ecónoma ao Sítio Igreja Açores.
Sínodo: são necessárias respostas, mesmo que sejam experimentais
José Eduardo Borges de Pinho é professor jubilado de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e membro da Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa. Assinala a necessidade de serem tomadas “medidas concretas” no âmbito do processo sinodal.
O “Instrumentum Laboris” da segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos bispos, que vai decorrer de 2 a 27 de outubro, foi apresentado no início deste mês de julho. Um documento de trabalho que tem suscitado muitos comentários.
José Eduardo Borges de Pinho é um dos elementos da Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e em entrevista conjunta à Rádio Renascença e à Agência Ecclesia, assinala a necessidade de serem tomadas “medidas concretas” a curto prazo no âmbito do processo sinodal.
O professor jubilado de Teologia da Universidade Católica Portuguesa alerta que “sem medidas concretas, corremos o risco de o processo sinodal não se explicitar, crescer e desenvolver-se e até de poder criar desalento em muitas pessoas”.
A entrevista é conduzida pelos jornalistas Henrique Cunha da Rádio Renascença e Octávio Carmo da Agência Ecclesia.
Foto: Beatriz Pereira, Rádio Renascença
Foto: Rede Sinodal
A caminhada sinodal «tem de levar a tomada de decisões»
O padre Paulo Terroso, da secretaria da comunicação do sínodo, esteve em Seia, na diocese da Guarda, a participar na jornada diocesana de pastoral familiar, num encontro onde a família e o sínodo foram temas de reflexão.
A caminhada sinodal «tem de levar a tomada de decisões» foi uma frase que o sacerdote da Arquidiocese de Braga afirmou reforçando que o sínodo é um caminho conjunto mas que a “Igreja precisa de acompanhar os tempos, as preocupações e anseios dos jovens e das famílias, incluindo todos, todos, todos, e isso leva a tomada de decisões”.
O bispo da Guarda, D. Manuel Felício, também presente no encontro, partilhou a sua perspetiva sobre a caminhada sinodal, concordando com a “tomada de decisões a seu tempo” e enaltecendo o momento de reflexão que ali se gerou. Também o assistente do Secretariado Diocesano do Laicado e Família e do Departamento da Pastoral Familiar, padre Joaquim Cardoso Pinheiro, marcou presença e mostrou-se expectante com a caminhada sinodal.
O encontro levou o padre Paulo Terroso e a jornalista Sónia Neves até Seia para “fazerem a ponte” da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 até à caminhada sinodal que a Igreja vive. Depois de partilhadas experiências pessoais dos dias da JMJ, a tarde serviu ainda para abordar vários temas da caminhada sinodal como a escuta, o papel da mulher na Igreja, o compromisso de cada leigo batizado na missão e a renovação da formação nos seminários.
A jornada diocesana da pastoral familiar iniciou com testemunhos de jovens peregrinos da JMJ e uma família de acolhimento, ambos da Guarda, e contou com a apresentação do livro “Não Temos Medo”, reflexões sobre a JMJ Lisboa 2023 e o caminho sinodal.
Equipa sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa divulgou relatório sobre a segunda fase da consulta sinodal
A síntese reúne os vários contributos num texto destinado à Secretaria-Geral do Sínodo, responsável pela elaboração do documento de trabalho (Instrumentum Laboris) da segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2 a 27 de outubro de 2024).
Foto: Ricardo Perna
Foto: Câmara Municipal de Espinho
Sínodo: é urgente uma renovação dos processos de formação nos Seminários
O padre Sérgio Leal, da diocese do Porto, está em Roma na Assembleia “Párocos pelo Sínodo”, mas antes de partir recordou a necessidade de “uma forma nova de ser pastor que nos liberta da clericalização”. O especialista em sinodalidade assinalou a importância do trabalho conjunto para fazer comunidade. Leia aqui.
«Quem são "todos, todos, todos"?» - Conferência em movimento sinodal à qual se associa a Rede Sinodal
A Conferência / Debate: RESPONSABILIDADE POLÍTICA E SOCIAL - Quem são "todos, todos, todos"? vai acontecer no dia 18 de abril, às 21h30, no Auditório Rainha Sta. Isabel na Rua Nuno Ferrari, 7A em Alfragide, patriarcado de Lisboa.
Vai contar com a presença de Rita Sacramento Monteiro - Movimento "Economia de Francisco"; Pe. José Maria Brito - Jesuíta; Eugénia Abrantes - Inst. Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização e Joaquim Franco - Santa Casa Misericórdia da Amadora.
Foto: SCMA
Foto: João Lopes Cardoso/JMJ Lisboa 2023
O pulsar do Sínodo em Portugal
Rede Sinodal em Portugal publica uma síntese dos contributos das dioceses sobre o caminho sinodal
No dia 6 de janeiro de 2024, Epifania do Senhor, foi lançado o site ‘Rede Sinodal em Portugal’ (www.redesinodal.pt) para manifestar esperança no caminho da Igreja. A plataforma, desenvolvida por uma equipa de forma voluntariosa, inspira-se no livro "Não temos medo - Reflexões sobre a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e o caminho sinodal", e abriu um espaço no ambiente digital que centraliza a informação sinodal, propondo caminhos de encontro e diálogo.
O site foi anunciado a todos os bispos e dioceses de Portugal, e respetivas comissões sinodais, a quem foram pedidos os contributos sobre o andamento dos respetivos processos de trabalho sinodal, sendo este o mote que esta síntese aqui quer trazer: o pulsar do Sínodo em Portugal. Leia aqui.
“O processo sinodal já é destino”, na “intensidade” do movimento que gera
A diocese do Porto acolheu um momento de encontro e diálogo sobre o Sínodo, nas paróquias de Anta e Guetim no concelho de Espinho
Encontro e diálogo, foi o que aconteceu nas paróquias de Anta e Guetim, no dia 15 de março. O pároco, padre Sérgio Leal, colaborador da Rede Sinodal em Portugal foi o anfitrião ideal para propor um momento intenso e sinodal.
O padre Sérgio Leal é também ele coautor do livro “Não temos medo”, tal como os oradores que animaram o debate naquela noite no concelho de Espinho. João Paiva, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Rui Saraiva, jornalista da diocese do Porto e correspondente do Vatican News em Portugal, abriram um espaço de reflexão sobre o caminho sinodal da Igreja, partindo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa 2023.
O salão paroquial de Guetim acolheu cerca de 80 pessoas que participaram ativamente na partilha de reflexões sobre os temas do Relatório de Síntese do Sínodo, tomando a JMJ como um laboratório de sinodalidade que marcou os tempos mais recentes da Igreja em Portugal.
Os oradores estiveram de acordo na necessidade de um profundo envolvimento das comunidades e dos grupos eclesiais no processo sinodal em curso na Igreja, iniciado pelo Papa Francisco em outubro de 2021.
Rui Saraiva coordenador do livro “Não temos medo” salientou que a JMJ foi imagem de Sínodo, com “mais de um milhão de jovens de mãos dadas vivendo uma experiência de fraternidade”. Sublinhou que o caminho da Igreja é feito com o contributo de todos.
João Paiva, por sua vez, orientou as suas intervenções na ideia de renovação espiritual proposta pelo Sínodo. “O processo sinodal já é destino” referiu João Paiva, acentuando que o movimento gerado pelo caminho em conjunto promove “intensidade” nas atitudes dos participantes.
A Rede Sinodal está em contacto com todas as dioceses portuguesas, para informar sobre o pulsar do Sínodo em Portugal.
Foto: Rede Sinodal
Foto: Diocese de Vila Real
Vila Real: Diocese termina síntese da segunda fase da consulta sinodal
A equipa Sinodal da diocese de Vila Real fez chegar à Rede Sinodal a síntese da segunda fase da consulta sinodal onde destaca vários pontos de reflexão como a conversão à sinodalidade, o papel da mulher na Igreja, uma Igreja mais acolhedora e os jovens como protagonistas.
“Ficou patente a urgência de conversão à sinodalidade, embora se note ainda uma certa desconfiança no processo, até do próprio clero. Para ultrapassar este limite, aconselha-se a partilha alargada, reflexão e aprofundamento do Relatório de Síntese do Sínodo dos Bispos, através de encontros nas paróquias, arciprestados, movimentos e secretariados”, escreveu a equipa Sinodal da diocese de Vila Real. Leia aqui.
Sínodo: “uma mudança que tem que ser feita pelo Povo de Deus”
Assinalando o Dia Internacional da Mulher fomos ouvir a médica portuguesa Sílvia Monteiro que acredita que o dom que recebemos de Deus no feminino pode ter um impacto muito relevante na transformação da Igreja. Tem vivido com muito empenho o processo sinodal colaborando com a Rede Sinodal em Portugal e sustenta que as mulheres devem ser envolvidas nos processos de decisão na Igreja.Leia aqui.
Foto: Paróquia de Aldoar
Porto: Catequese da Paróquia de Aldoar promove serões sobre a sinodalidade
Em tempo de Quaresma, a paróquia promove conversas online que possam ajudar a refletir sobre a sinodalidade. Com o tema geral "Juntos por um caminho novo" - O papel da Paróquia numa Igreja Sinodal, as cinco sessões online são espaço de debate e partilha que, a cada terça-feira, tem um convidado diferente. Pelos ecrãs já passaram o padre Lino Maia, o enólogo Bento Amaral e o jornalista António Marujo.
No próximo dia 12 de março é a vez do padre jesuíta Vasco Teixeira e, a 19 de março, é convidado o padre Sérgio Leal, especialista em sinodalidade. Aceder ao link.
Encontro de formação sobre sinodalidade reuniu cerca de 90 agentes pastorais na diocese de Bragança-Miranda
Bispo diocesano admitiu a necessidade de “uma cultura e uma espiritualidade sinodais” Leia aqui.
Foto: SDCS - Diocese de Bragança-Miranda
Foto: Diocese de Vila Real
Vila Real: Sinodalidade foi tema central na 100ª reunião do Conselho de Presbíteros da diocese
O Conselho de Presbíteros da Diocese de Vila Real reuniu-se na passada quarta-feira,28 fevereiro, pela 100ª vez, na Casa do Clero, com foco no tema da sinodalidade. Leia aqui.
Grupos de trabalho sinodal da diocese de Setúbal estão em reflexão
Bispo pede “especial empenho nesta nova fase do processo” e para concretizar o desafio de consulta das Igrejas locais, a “equipa sinodal diocesana elaborou um guião orientador enviado ao Clero e aos Coordenadores Locais para apoiar os grupos de trabalho” Leia aqui.
Foto: Diocese de Setúbal
Foto: Comissão de Gestão do Património Religioso - Diocese de Portalegre-Castelo Branco
Diocese de Portalegre-Castelo Branco quer continuar a reflexão sinodal envolvendo grupos e comunidades
Na Mensagem da Semana Cáritas, bispo diocesano lembra que “os pobres são os protagonistas do caminho da Igreja”. No início deste mês reuniu-se o Conselho Diocesano da Pastoral da Diocese de Portalegre-Castelo Branco para “dar andamento aos trabalhos sobre “Uma Igreja Sinodal e Missão”, baseando-se, sobretudo, nos números 8 a 12, 16 e 18 do Relatório Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos”. Leia aqui.
O caminho da sinodalidade aponta o “abraço da fragilidade”
Apresentação do livro “Não Temos Medo” marca conferência quaresmal de Cantanhede
Num auditório preenchido com mais de uma centena de pessoas, a apresentação do livro “Não temos medo”, do passado dia 23 de fevereiro, foi o mote para a conferência quaresmal da Unidade Pastoral de Cantanhede, que é composta por seis paróquias, na diocese de Coimbra.
Sílvia Monteiro, médica e autora do livro “Não Temos Medo”, defendeu que o “caminho da sinodalidade só vai ser percorrido se abraçarmos a nossa fragilidade”.
A oradora convidou os presentes para, em tempo de Quaresma, se permitirem a entender mais sobre as questões que “podem levar a Igreja mais além”, com o compromisso de cada um, “indo às periferias, onde a Igreja tem de estar e tocar o outro”.
O encontro contou ainda com o jornalista e coordenador da obra “Não Temos Medo”, Rui Saraiva, que recordou a experiência da Jornada Mundial da Juventude, tocando momentos como a Via Sacra e a Vigília, onde a “experiência sinodal foi visível”.
Perante um grande grupo de jovens e suas catequistas, que foram até Lisboa no passado mês de agosto, houve espaço de partilha a lembrar a experiência, “com momentos bons e maus”, mas que guardam como um incentivo para os jovens que precisam de “desafios após o crisma”.
O diálogo, moderado pela jornalista Sónia Neves, abordou ainda o papel da mulher na Igreja, “como necessário e rosto de sensibilidade”. O serão terminou com desejos de maior “compromisso dos leigos e famílias na comunidade”, “envolvência e escuta dos jovens” e espaços de encontro para refletir sobre o papel da Igreja local e no nosso país.
A Rede Sinodal está em contacto com todas as dioceses portuguesas, para informar sobre o pulsar do Sínodo em Portugal.
Foto: Rede Sinodal
Foto: Paróquia da Charneca da Caparica
Jornalista Vaticanista afirma que “numa igreja sinodal acabou a ideia do catolicismo em part-time”
A paróquia da Charneca de Caparica, na diocese de Setúbal, deu início à segunda fase do processo sinodal em curso na Igreja Católica com uma conferência sobre o Sínodo aberta à comunidade paroquial, como comunicado à Rede Sinodal.
Octávio Carmo, jornalista com acreditação permanente junto da Santa Sé e chefe de redação da Agência Ecclesia, que tem acompanhado a dinâmica sinodal em Roma, falou às dezenas de pessoas que encheram o salão paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Rosa de um processo que está a ser “revolucionário” na Igreja.
“Este processo sinodal é uma proposta revolucionária”, refere o jornalista, adiantando que “o Papa está a criar estruturas para que Roma ouça o mundo”.
A informação refere ainda que o jornalista considera que “o processo sinodal existe para que a igreja do século XXI seja uma igreja participativa, em que todos se sintam responsáveis”, e avisa que “numa igreja sinodal acabou a ideia do catolicismo em part-time, em que vou à eucaristia e volto para casa”.
A paróquia informou ainda que nesta “segunda fase do processo sinodal os fiéis da comunidade irão promover, conforme pedido pela Secretaria Geral do Sínodo, a escolha de algumas propostas para serem implementadas na paróquia, e o Conselho Pastoral irá despoletar uma reflexão sobre algumas das propostas”. Leia aqui.
Conselhos Presbiteral e Pastoral da Guarda refletem sobre o Relatório Síntese do Sínodo
A comissão sinodal da diocese da Guarda informou a Rede Sinodal que os Conselhos Presbiteral e Pastoral estão envolvidos no documento a entregar até fim de março à Conferência Episcopal Portuguesa. Leia aqui.
Foto: Diocese da Guarda
Diocese de Angra faz auscultação sobre a Igreja que “somos e que queremos ser”
A diocese de Angra lançou no seu portal, www.igrejaacores.pt, uma “auscultação a todo o Povo de Deus sobre a Igreja que somos e a Igreja que queremos ser, no sentido de caminharmos juntos”. Leia aqui.
Diocese de Lamego quer encarar este “sínodo como um processo sem fim”
Apesar da comissão sinodal da diocese de Lamego não ter reunido ainda, informou a Rede Sinodal que tem como grande preocupação que “um maior número de pessoas possível tome conhecimento dos conteúdos do Relatório de Síntese, para se poderem pronunciar com mais assertividade, e não aleatoriamente”. Leia aqui.
Foto: Diocese de Lamego
Diocese de Aveiro não quer “deixar morrer o dinamismo sinodal”
A comissão sinodal da diocese de Aveiro partilhou com a Rede Sinodal que já reuniu e encontra-se a estudar o relatório síntese, com a “preocupação maior de não deixar morrer o dinamismo sinodal”.Leia aqui.
Delegados Sinodais de Lisboa dinamizam as comunidades
Juventude também fez trabalho alinhado com sínodo que vai ser tido em conta no relatório diocesano
Segundo a comissão sinodal do patriarcado de Lisboa a “estratégia passou por uma Assembleia Diocesana dos Coordenadores Locais (Delegados das comunidades cristãs), no passado dia 13 de janeiro de 2024,” e atualmente, “os delegados estão a dinamizar as suas comunidades procurando reunir os agentes da pastoral” para enviarem uma reflexão. Leia aqui.
Foto: Patriarcado de Lisboa
Cartaz: 7 Margens
Sínodo:promessa de futuro para pôr em prática – um debate com o cardeal Tolentino e experiências locais, promovido pelo 7 Margens
O 7MARGENS deixa aos seus leitores e outros interessados um convite para o serão do próximo dia 15, quinta-feira: uma conversa que dê seguimento ao desafio da teóloga Cristina Inogès, no debate que animou recentemente: que podem os católicos fazer para pôr, desde já, em prática a Igreja sinodal, para a qual o Papa Francisco tem vindo a desafiar toda a Igreja? Leia aqui.
Um mês de Rede Sinodal atinge 5 mil visualizações
Site foi visitado mais por utilizadores de Portugal, Estados Unidos da América, Espanha, Itália e Brasil
A Rede Sinodal perfaz um mês de existência neste dia 06 de fevereiro de 2024 e atingiu as 5 mil visualizações, facto que espelha o interesse no tema do Sínodo em Portugal.
De acordo com dados do site, os utilizadores chegam diretamente, na sua maioria através de dispositivo móvel (61,5%), em grande parte são de Portugal, depois dos Estados Unidos da América, de Espanha, Itália e do Brasil.
O site teve uma média de 15 novos utilizadores por dia, que navegavam cerca de 4 minutos, com maior procura na página principal e na categoria “Missão”, o que demonstra a importância do objetivo a que a Rede se propõe. Logo a seguir os cliques foram para as categorias “Opinião” e “Em movimento”, secções que, ao longo do mês, ganharam conteúdos próprios.
Ainda de destacar que os visitantes da Rede Sinodal no nosso país estão espalhados por todo o território, com maior adesão das cidades de Lisboa, Porto, Setúbal, Coimbra, Braga e Viseu.
A Rede Sinodal está ainda presente no Facebook, numa página com mais de 300 seguidores, na sua maioria com mais de 35 anos, registando um alcance acima das 2500 pessoas, através das suas publicações.
Foto: Rui Saraiva, maio de 2022
Diocese do Porto abre reflexão sobre o Relatório de Síntese do Sínodo ao Conselho Diocesano de Pastoral e Conselho Presbiteral Diocesano
A Comissão Sinodal da diocese do Porto decidiu abrir a reflexão sobre o Relatório de Síntese da primeira sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos ao Conselho Diocesano Pastoral e ao Conselho Presbiteral Diocesano. Leia aqui.
Diocese de Vila Real quer envolver toda a diocese na caminhada sinodal e combater o alheamento
A diocese de Vila Real tem preparada uma estratégia de encontros para “envolver toda a diocese na caminhada sinodal” e combater o “alheamento” sentido por “alguns setores da Igreja”. Ler aqui.
Foto: Olímpia Mairos
Foto: Rede Sinodal em Portugal
“Não temos medo” em Aveiro reavivou memórias da JMJ e evocou esperança no caminho sinodal
No salão paroquial da Vera-Cruz, no coração da cidade de Aveiro, decorreu no dia 26 de janeiro a apresentação do livro “Não temos medo” com o jornalista e coordenador da edição, Rui Saraiva, e o padre Paulo Terroso, membro da comissão de comunicação do Sínodo, numa conversa moderada pela jornalista e autora Sónia Neves. Perante uma assembleia oriunda de vários locais da diocese de Aveiro, os convidados destacaram vários momentos da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, entre eles os “toques de emoção” em jornalistas que acompanhavam o evento, a forma como aquela semana decorreu em Lisboa, num “clima de segurança, a interação entre os jovens em clima de fraternidade” e caracterizaram o acontecimento como um “laboratório de sinodalidade”.
“É de destacar o momento da Via-Sacra, nos dias depois ainda se falava nele, foi dada voz aos jovens, eles foram escutados”, realçava o padre Paulo Terroso.
A JMJ foi destacada como um evento que “mexeu” com jovens, famílias, paróquias, comunidades e dioceses, com a sociedade em geral, e apontada como exemplo a ser tomado em conta para as “futuras dinâmicas de pastoral juvenil”.
As curiosidades sobre o ambiente sinodal foram enumeradas e os temas como a “escuta, o compromisso dos leigos e o papel da mulher na Igreja” apontados pelos convidados.
Na presença de membros da comissão sinodal diocesana surgiram motes de esperança, como a “iniciativa de cada leigo”, os “espaços de escuta e participação” e o sentido de um caminho que se quer conjunto, “onde cada um terá sempre lugar, sem medos”.
O evento terminou com palavras de "coragem" e afirmação numa Igreja que se quer inclusiva, onde todos precisam de "experimentar transformação" num ambiente de diálogo fraternal e participação como se tornou o serão.
A partir do livro "Não temos medo" foi apresentado o lugar online da Rede Sinodal em Portugal, (www.redesinodal.pt), que nasceu da "necessidade" de mostrar o que vai acontecendo na dinâmica sinodal em Portugal e sendo espaço para acolher a participação de todos.
Dioceses deviam avançar com propostas sinodais
Além de darem contributos para a segunda parte do Sínodo dos Bispos da Igreja Católica, as dioceses de todo o mundo poderiam ir concretizando, desde já, preocupações que resultaram da primeira fase da auscultação local. A proposta foi lançada pela teóloga espanhola Cristina Inogès Sanz, que intervinha, já na fase de perguntas e respostas, no encontro-debate intitulado “Caminhos de intervenção para o Sínodo Católico”, organizado pelo 7MARGENS. Ler aqui.
Foto: Agência Ecclesia/PR - Cristina Inogès Sanz
Sínodo é “solavanco eclesial” que permite processos imparáveis de liberdade
“Tenho muita esperança no Sínodo”, diz o padre Rui Santiago, sublinhando que na História da Igreja “vai haver um antes e um depois deste Sínodo”.
O Relatório de Síntese da primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos bispos, está a ser objeto de estudo e de reflexão nas igrejas locais, tendo sido proposta uma pergunta genérica orientadora da reflexão: como ser Igreja sinodal em missão?
Essa síntese sinodal publicada pela Secretaria Geral do Sínodo propõe um texto que “recolhe as convergências, as questões a aprofundar e as propostas que surgiram do diálogo” desenvolvido na primeira sessão em Roma.
Processos imparáveis
Sobre o Sínodo, o padre Rui Santiago diz ter “muita esperança”, pois faz “desencadear processos que são imparáveis”. O missionário redentorista caracteriza o Sínodo como um “solavanco eclesial”.
“Não tenho esperança no Sínodo enquanto produtor de soluções ou de mudanças instantâneas, mas numa espécie de solavanco eclesial que vai desencadear processos que são imparáveis. Tenho muita esperança no Sínodo, afirma o missionário.
Para o sacerdote português, mais importante do que o documento final do Sínodo, é o processo que está desencadeado. Porque na História da Igreja “vai haver um antes e um depois deste Sínodo”.
“Eu estou convencido que quando se contar a História da Igreja se por cá andarmos daqui a 100 anos, vai haver um antes e um depois deste Sínodo. É a diferença entre um Sínodo do qual se espera um belíssimo documento, a um Sínodo, como é o caso deste, em que, seja qual for o documento final, é o que menos interessa. Porque o processo está desencadeado. E se este processo desencadeado der um belíssimo documento, até pode ser mau sinal. Pode ser sinal de que chegamos cedo de mais a um ponto de convergência, cedo de mais a um ponto de unanimidade, a um ponto conclusivo. Pode ser muito bom sinal nós chegarmos ao final deste momento de processo de Sínodo e chegarmos novamente a um documento que nos deixa descontentes. Onde parece que há tanto em conflito, onde parece que há tantas pontas que não dão para juntar, mas isto pode ser muito melhor sinal do que um belíssimo documento que está fechado na sua beleza conclusiva. Porque significa que este processo é de facto imparável”, sublinha o missionário.
A liberdade que o povo de Deus sente
O padre Rui Santiago sublinha o atual momento histórico e “a liberdade que o povo de Deus
sente”. O
“Sínodo está a ser um desencadear desta liberdade”, afirma.
“O que eu acho que há de histórico neste momento tem a ver com a liberdade que o povo de Deus sente. Liberdade tem a ver com a queda do medo. A verdade é que a hierarquia já não mete medo a ninguém. Já meteu e erradamente. E nem sequer estou a dizer que a hierarquia o queria. Mas tem que ver com padrões sociais e culturais nos quais a autoridade era solene. Hoje não há medo da polícia, ou do professor, ou dos pais. A verdade é que toda a crise de autoridade que nós falamos em questões pedagógicas, políticas e também em questões eclesiais, traz-nos um bem muito grande porque nos liberta da lógica do rebanho e do assentimento acrítico e este Sínodo está a ser um desencadear desta liberdade. Eu vou experimentando numa minoria sinodal que vai, de facto, apanhando o espírito disto, gente que vai dizendo: pode-se? então vamos. Há uma experiência profundamente nova neste Sínodo, é que, a meio do Sínodo, quando aparecem estes documentos preliminares, transitórios, o próprio Papa e o relator do Sínodo dizem ao povo de Deus: não é preciso estarem à espera de grandes conclusões, pois a maior parte do que está aqui, vocês podem experimentá-lo. Este apelo é extraordinário”, disse o sacerdote.
Ousar, sem medo, sem constrangimentos
Para o sacerdote, é também importante serem faladas neste Sínodo as questões sobre a estrutura
da
Igreja, mas mais importante é fazer a experiência sinodal.
“Se nós ficarmos apenas com questões sobre a estrutura, que também têm que ser faladas, estamos a perder algo de fundamental no Sínodo que é que a grande parte do que é proposto sinodalmente para que a Igreja faça, o próprio Papa e os responsáveis do Sínodo dizem à Igreja: por favor, façam, experimentem, ensaiem, que haja experiências piloto nas comunidades cristãs. Não é para todos, não é em todo o lado, não é possível a toda a gente, é o que é, mas certamente encontraremos lugares de liberdade em que alguns destes veios que o Sínodo vai abrindo podem ser postos em prática. E esta é para mim a grande novidade histórica, é ser legítimo ousar, sem medo, sem constrangimentos e sem termos de estar à espera de um decreto hierárquico para nos dizer o que é que devemos fazer. Pelo contrário, o próprio Papa está-nos a dizer: por favor, ensaiem”, declara o padre Rui Santiago.
O padre Rui Santiago, é Provincial da Congregação do Santíssimo Redentor em Portugal e refletiu aqui na antena da Rádio Vaticano e no portal Vatican News, sobre o momento atual do Sínodo.
Recordemos que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pediu às dioceses de Portugal para promoverem a reflexão nesta fase do Sínodo. Segundo o comunicado do Conselho Permanente da CEP essa “reflexão deve incidir nos capítulos 8-12, 16 e 18 do Relatório de Síntese da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos”. Assim, temas como “As mulheres na vida e na missão da Igreja”, “O bispo na comunhão eclesial” e “Organismos de participação” serão objeto de análise em todas as dioceses do país.
A CEP aguarda os contributos das dioceses de Portugal até final de março de 2024, para que na primeira semana de abril a sua Equipa Sinodal possa sintetizar a reflexão de todas as dioceses. Depois de aprovado pela Assembleia Plenária da CEP de 8 a 11 de abril, o texto final será enviado para a Secretaria Geral do Sínodo até 15 de maio de 2024.
Rui Saraiva
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Rede Sinodal foi apresentada no programa Ecclesia, na RTP 2
Rui Saraiva convida todos os que querem acompanhar o Sínodo, «como ele está a acontecer em Portugal», a procurar esta rede. Ver o vídeo. .
Na entrevista o jornalista explica que a rede sinodal na internet, lançada em Portugal no início deste ano de 2024, “tem objetivos muito concretos” e quer ser “um local para acolher”, porque acolhem “todos os contributos” e procuram “integrar no caminho sinodal”, e também “acompanhar tudo o que vai acontecendo nas várias dioceses”. Ler a notícia .
Foto: Agência Ecclesia/LFS
Patriarca de Lisboa participa em assembleia diocesana com os coordenadores locais do Sínodo dos Bispos
D. Rui Valério considerou, no âmbito da assembleia diocesana com os coordenadores locais do Sínodo dos Bispos, que a escuta é “fundamental” para o processo sinodal, uma vez que é “a maneira como a Igreja hoje pode entrar em diálogo, e em comunhão com a própria sociedade e com o próprio mundo”. Leia aqui na Agência Ecclesia.
Curso Online Gratuito - “Rumo a uma Igreja Constitutivamente Sinodal”
O curso é promovido pela Escola de Teologia e Ministérios do Boston College, dos Estados Unidos, contando com o apoio dos conselhos episcopais da América Latina e da Europa, a União dos superiores gerais das ordens religiosas, da Companhia de Jesus, entre outras instituições católicas.
Com o título genérico “Rumo a uma Igreja constitutivamente sinodal”, esta formação online decorre formalmente de 2 a 15 de março de 2024 e compõe-se de três módulos: módulo 1 sobre modelos de tomada de decisão; módulo 2 sobre carismas e ministérios; e módulo 3 sobre estruturas para uma igreja sinodal.
"Sinodalidade. Moda ou Identidade?"
Apresentamos o curso "Sinodalidade. Moda ou Identidade?", ministrado pelo Prof. Juan Ambrósio, organizado pela Escola de Leigos do Instituto Diocesano da Formação Cristã (IDFC). Este curso, composto por quatro sessões via Zoom das 21h15 às 22h30, oferece uma nova perspectiva sobre a sinodalidade na Igreja.
Foto: João Lopes Cardoso
"Não temos medo" no Porto
A publicação “Não temos medo” foi o mote para, num fim de tarde do mês de novembro passado, ter sido possível falar abertamente de preocupações, sonhos e desejos que nos apontam outubro de 2024. A obra teve uma primeira apresentação na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, onde alguns autores recordaram a vivência da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e apontaram o desejo de uma Igreja com espaço para todos, onde a empatia e a fragilidade foram temas.
No coração do encontro estavam os autores Bento Amaral, enólogo, e Sílvia Monteiros, médica, numa moderação do jornalista Rui Saraiva que estendeu o diálogo à plateia e onde as várias vozes se fizeram ouvir, deixando no ar o sonho de não se deixar passar a oportunidade do sínodo.
No fim da apresentação do livro, que reuniu várias opiniões, ficou a vontade de criar novos espaços de encontro e diálogo semelhantes.